3 min leitura
Recuperar a imagem e a reputação
Por Miguel Alexandre Ganhão, Diretor do Jornal PT50
01 Ago 2026 - 07:30
3 min leitura
Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50
Mais recentes
- Procuradores alemães acusam quatro antigos funcionários do Commerzbank de evasão fiscal
- Revolut quer abrir sucursal na Finlândia
- Deutsche Bank muda de escritório em Canary Wharf
- Eurosistema seleciona SIBS para programa europeu de tokenização
- Taxa de juro do crédito à habitação subiu para 3,135% em julho
- Aquisição do Webster Bank pelo Santander está concluída
Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50
A luta do setor bancário para recuperar a sua imagem e reputação dura há quase 20 anos. Desde a crise do subprime (2008), agravada pela crise das dívidas soberanas (2011), que às instituições financeiras, a nível global, foi colada uma narrativa de “usura insensível”. A demonização do lucro e os sucessivos escândalos alimentaram um sentimento de revolta contra os gigantes da banca.
Portugal não foi exceção. A “guerra acionista” no BCP, a chegada da troika, a resolução do Banco Espírito Santo (BES) e as sucessivas comissões parlamentares de inquérito que analisaram, entre outros casos, os empréstimos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos e a venda de ativos do Novo Banco contribuíram para consolidar esta perceção negativa.
Esta semana, três dos principais bancos nacionais — Millennium bcp, Caixa Geral de Depósitos e BPI — apresentaram os resultados do primeiro semestre. Foram bons resultados. As instituições continuam rentáveis e bem geridas, por profissionais qualificados e com uma visão global dos desafios que hoje se colocam ao negócio bancário.
Falamos de instituições que atravessaram episódios particularmente difíceis na sua história recente. Acompanhei aquilo que foi chamado de “assalto ao BCP”, protagonizado por Joe Berardo e outros acionistas, que quase destruiu o maior banco privado português. E importa recordar que as ações do Millennium bcp permaneceram com um valor inferior a um euro durante onze anos, penalizando fortemente os seus acionistas.
No caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD), as comissões parlamentares de inquérito aos empréstimos concedidos (2016 e 2019) e ao processo de recapitalização degradaram ao limite a imagem do banco público. Os testemunhos de muitos dos beneficiários de créditos de milhões de euros revelaram uma instituição excessivamente permeável à influência política e com uma equipa de gestão demasiado fraca.
No caso do BPI, foram os Panama Papers que revelaram a forma como Isabel dos Santos, filha do antigo Presidente da República de Angola, obteve o capital necessário para deter mais de 19% da instituição portuguesa.
Tudo isto parece hoje ultrapassado. A banca é mais transparente, mais profissionalizada e mais independente.
Mas a confiança, que é o verdadeiro alicerce do negócio bancário, continua a ser um bem extremamente volátil, sujeito a reações extremas quando abalado por fatores inesperados.
É hoje consensual afirmar que a banca e os banqueiros portugueses recuperaram grande parte da reputação e da credibilidade que perderam no passado. Importa, porém, saber preservá-las e reforçá-las, porque os tempos que vivemos são particularmente complexos.
Às ameaças geopolíticas que enfrentamos não devemos acrescentar atitudes irresponsáveis nem decisões temerárias. É igualmente justo reconhecer que a qualidade da regulação evoluiu de forma muito significativa e que, hoje, seria mais difícil repetir muitos dos episódios que ficaram gravados na memória coletiva.
Mais recentes
- Procuradores alemães acusam quatro antigos funcionários do Commerzbank de evasão fiscal
- Revolut quer abrir sucursal na Finlândia
- Deutsche Bank muda de escritório em Canary Wharf
- Eurosistema seleciona SIBS para programa europeu de tokenização
- Taxa de juro do crédito à habitação subiu para 3,135% em julho
- Aquisição do Webster Bank pelo Santander está concluída