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Um ex-ministro da Educação contra um académico: o presidente do Eurogrupo é escolhido a 11 de dezembro

O ministro da Economia e Finanças grego, Kyriakos Pierrakakis, defronta o ministro belga do Orçamento, Vincent Van Peteghem, na luta pelos 11 votos necessários.

29 Nov 2025 - 08:36

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BCE sede | Foto: ecb multimedia

BCE sede | Foto: ecb multimedia

A presidência do Eurogrupo ficou vaga recentemente com a demissão de Paschal Donohoe, que também abandonou o Ministério das Finanças da Irlanda para rumar ao Banco Mundial. O seu sucessor vai ser eleito a 11 de dezembro, de acordo com a informação divulgada pelo Conselho Europeu.

Na corrida estão o ministro da Economia e Finanças da Grécia, Kyriakos Pierrakakis, e o vice-primeiro ministro e ministro do Orçamento da Bélgica, Vincent Van Peteghem. Precisam de garantir 11 dos 20 votos em jogo para alcançar a presidência, ficando no cargo por dois anos e meio, com a possibilidade de renovação de mandato.

O ministro dos sete ofícios

Kyriakos Pierrakakis entra nesta corrida com o objetivo de garantir ação coordenada entre os parceiros do euro e aponta quatro prioridades comuns – bastante faladas nos últimos tempos a nível europeu – na sua candidatura: mobilizar as poupanças europeias para o investimento, concretizar e orientar o mercado único, criar o euro digital e salvaguardar as bases económicas da Europa.

Pierrakakis elenca ainda um princípio orientador: “Um Eurogrupo estratégico deve ser operacional – bem preparado, complementar à ECOFIN e focado em problemas verdadeiramente da Zona Euro”. O ministro da Economia revela querer evitar redundâncias e reitera que o objetivo do Eurogrupo “é tornar a sabedoria coletiva da Europa em execução coletiva”.

Na sua carta de motivação e de apelo ao voto, o ministro grego indica que pretende aproveitar o “valor da confiança, pragmatismo e consenso” que foi demonstrado durante o mandato de Donohoe. A isto pretende acrescentar “clareza e estrutura na próxima fase”. “Cada um de nós traz lições da sua experiência nacional. A nossa força reside em aglomerar essas lições de uma forma mais direcionada e transparente, assegurando que as nossas decisões coletivas se traduzem em resultados significativos para os nossos cidadãos”.

Antes de ser ministro da Economia e Finanças, Pierrakakis começou com a pasta da Governança Digital, entre 2019 e 2023, pelo partido Nova Democravia, de centro-direita. Neste período, foram criadas várias plataformas digitais, conforme o candidato sublinha no seu currículo, nomeadamente ferramentas que “permitiram uma continuação das operações do Estado” durante a pandemia. “A sua liderança levou à sua nomeação, e renomeação, enquanto presidente do Grupo de Estratégia Global da OCDE”, destaca.

Já entre 2023 e 2025, Pierrakakis foi ministro da Educação, tendo implementado reformas jurídicas no contexto universitário e avançado com a proibição de ‘smartphones’ nas escolas do país. Foi também, no início da carreira, diretor de Investigação do ‘think-tank’ Dianeosis.

O veterano do Eurogrupo

Vincent Van Peteghem está presente no Eurogrupo desde 2020, para o qual “contribui ativamente em discussões sobre governança macroeconómica, sustentabilidade fiscal e competitividade na Zona Euro”, segundo o currículo do próprio. É vice-primeiro ministro desde 2020 e, enquanto ministro das Finanças, “o seu mandato é focado em “modernizar o sistema fiscal, fortalecendo a estabilidade financeira e protegendo as famílias e empresas durante a pandemia e a subsequente crise energética”.

Tal como Pierrakakis, Van Peteghem abre com a intenção de reunir consensos e fortalecer a cooperação entre os Estados-membro. O atual ministro do Orçamento, responsável pela simplificação administrativa, acredita que “este fórum sempre foi buscar a força à sua capacidade de diálogo aberto, entendimento mútuo e ação coordenada”.

No caso do ministro belga, este elenca três prioridades: reforçar a coordenação da política fiscal e económica, fortalecer a competitividade de longo prazo da Zona Euro e aprofundar a união económica e monetária e, por fim, garantir o futuro internacional e digital do euro.

“Representarei o Eurogrupo externamente com dedicação, reforçando os nossos laços com os parceiros internacionais e assegurando que os nossos interesses comuns são reconhecidos e compreendidos. Acima de tudo, trabalharei para garantir que a Zona Euro continue a ser uma força de estabilidade, competitividade e unidade num mundo em rápida mudança”, defende.

Van Peteghem usa ainda a sua experiência como líder da ECOFIN para destacar a sua experiência em cargos europeus e a sua capacidade de diálogo e busca de consenso. A isto, o político eleito pelos democratas cristãos acrescenta ainda a capacidade de alcançar “acordos equilibrados” devido à sua experiência enquanto integrante de um governo constituído por uma coligação multipartidária.

Enquanto ministro das Finanças, realça o avanço na luta contra a fraude e o reforço do fundo soberano da Bélgica, bem como a promoção da descarbonização da frota rodoviária institucional.

Antes de entrar na política, em 2016, Van Peteghem construiu uma carreira académica e foi diretor de Inovação Educativa na EDHEC Business School, em Lille, em França.

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