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UBS pondera todas as opções para cumprir possível requisito adicional de capital de 22 mil milhões

Desde mudanças de sede a truncagem de negócios, o CFO do UBS indica que todas as opções estão em cima da mesa para lidar com maior requisito de capital.

16 Set 2025 - 16:50

5 min leitura

Foto: Unsplash/Claudio Schwarz

Foto: Unsplash/Claudio Schwarz

Nos últimos meses, o UBS tem-se visto a braços com uma demanda do Governo suíço de aumentar os requisitos de capital do banco, de forma a prevenir possíveis crises futuras que o Estado não consiga resolver. As regras que estão na calha, e cuja aprovação final nunca ocorrerá antes do final de 2027, visam obrigar o banco a capitalizar as suas unidades estrangeiras, o que pode implicar um aumento dos requisitos de capital para o UBS de 22 mil milhões de euros.

O CFO do UBS, Todd Tuckner, citado pela agência Reuters, indicou que o banco está a considerar todas as opções para responder a estes requisitos de capital propostos pelo executivo. Tuckner adiantou ainda que a instituição vai publicar as considerações formais até ao final do mês. “Todas as medidas de resposta estão a ser consideradas, incluindo os custos e as vantagens e desvantagens de cada uma delas”, assegurou, nesta terça-feira, numa conferência.

Segundo uma notícia avançada pelo New York Post, o banco está a ponderar mudar a sua sede para os EUA. Este rumor já surgiu no passado quando a questão dos requisitos de capital começou a borbulhar, e já levou vários executivos do banco a reafirmar a vontade do UBS de se manter na Suíça, como recorda a Reuters. Ex-colaboradores sénior do banco garantem à Bloomberg que a probabilidade de mudar a sede é zero ou perto de zero.

Da parte do CEO do UBS, Sergio Ermotti, este afirma que “é definitivamente demasiado cedo para comentar sobre qualquer potencial cenário e quais vão ser as nossas respostas”. Em declarações à Bloomberg, o CEO criticou as medidas, confirmando que as considera “punitivas e excessivas”, e acrescentou que o banco precisa de pensar sobre como proteger os seus acionistas e os ‘stakeholders’.

Nesta segunda-feira, a Câmara Alta do parlamento suíço rejeitou um plano de submeter todas as regras de capital do UBS à aprovação daquela assembleia, o que permite ao executivo implementar medidas diretamente que podem incrementar os requisitos de capital ‘core’ do banco em cerca de 7,65 mil milhões, segundo reporta a agência Reuters.

O plano apresentado para reduzir o risco da instituição dita que esta não pode contar com ativos de software e ativos fiscais diferidos para o seu capital ‘core’, o que leva os requisitos a subir em 9,35 mil milhões. Por outro lado, os ajustes nos limites iriam reduzir isto em, pelo menos, 1,53 mil milhões.

O UBS já criticou estas medidas, considerando que são desproporcionais e colocam em desvantagem competitiva face aos rivais internacionais. O presidente do Conselho de Administração, Colm Kelleher, caracteriza estas imposições como extremistas. Esta visão é corroborada por membros da oposição no parlamento, que receiam que o país perca a sua competitividade no setor financeiro face a outros mercados emergentes.

“Encolher não é opção” para Ermotti

A par da mudança da sede para a Suíça, existem outros caminhos a considerar. A Bloomberg consultou vários analistas e mapeou os possíveis rumos do UBS caso estas condições regulatórias sigam em frente. A agência de notícias indica que o banco não quis adicionar mais comentários sobre a situação ou o que tenciona fazer.

De acordo com a análise da Bloomberg, o UBS reportou, no final de 2024, cerca de 424 mil milhões de euros em ativos ponderados por risco, com um rácio CET1 de 14%, equivalente, portanto, a perto de 60 mil milhões. Para ficar em conformidade com as novas regras, com um rácio a rondar os 19%, ou o banco aumenta o capital para 80,7 mil milhões ou reduz os ativos ponderados por risco para 319,5 mil milhões.

Para aumentar a capitalização, o banco pode limitar os pagamentos de dividendos aos investidores ou pedir aos mesmos mais dinheiro – opções que não agradam. Por outro lado, existe a opção de vender ou encolher uma parte do negócio que requer muito capital, o que aumenta a capacidade de cumprimento dos requisitos. Desde a gestão de património aos empréstimos a empresas altamente endividadas ou ‘hedge funds’, há vários braços possíveis de amputar em troco de menos risco.

Contudo, a ideia de encolher a empresa é contraintuitivo quando o negócio está programado para crescer. O próprio Ermotti já reiterou que “encolher não é uma opção”.

Uma outra hipótese, livre de vendas ou cortes, é o ‘upstreaming’, segundo explicam analistas à Bloomberg. Isto prende-se com uma possível transferência de capital em excesso dos negócios internacionais para a empresa-mãe, caso os reguladores locais assim o permitam. A agência recorda que o banco já planeia obter perto de 4,25 mil milhões desta forma ao longo do tempo. Contudo, as entidades supervisoras têm pedido aos bancos que mantenham mais capital nos mercados em que operam. A par disto, fontes na área da regulação citadas pela Bloomberg indicam que os bancos têm enfrentado obstáculos na transferência de fundos para a empresa-mãe.

Analistas do JPMorgan apontam para uma necessidade de colocar cerca de 2,2 mil milhões de euros de lado, por ano, para preencher o “buraco”. Isto assumindo que os 4,25 mil milhões já referidos conseguem ser transferidos e que existe um período de implementação de seis a oito anos.

Por enquanto, indica a Bloomberg, os executivos do UBS continuam focados no desempenho do banco e esperam que os deputados lhes deem o benefício da dúvida.

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