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Transformação digital tarda em chegar à banca tradicional
Responsável do BCE alerta para o facto de as instituições estarem mais focadas em modernizar a “administração do banco” do que em “mudar o próprio banco"
17 Out 2025 - 12:10
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Pedro Machado | Foto: ECB
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Pedro Machado | Foto: ECB
O cenário financeiro da União Europeia (UE) está a mudar de forma acelerada, mas os grandes bancos tradicionais ainda não estão a investir o suficiente nessa transformação. O alerta foi deixado por Pedro Machado, o português que integra o Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), que afirmou ontem, em Frankfurt, que “embora as despesas com Tecnologias de Informação (TI) por parte das instituições significativas tenham aumentado desde 2019, grande parte continua centrada em operações de ‘administrar o banco’, em vez de iniciativas transformadoras com o objetivo de ‘mudar o banco’. No final de 2024, os projetos digitais representavam apenas 5,3% dos orçamentos de TI das instituições significativas”.
O responsável, que interveio na Conferência do Mecanismo Único de Supervisão de 2025 sobre Digitalização, organizada pelo BCE, referiu que “as fintech e os neobancos estão a aproveitar a sua agilidade e a ganhar dimensão com serviços exclusivamente online e custos operacionais mais baixos. No entanto, no panorama bancário da UE, os bancos tradicionais e as suas subsidiárias digitais continuam a ser dominantes — atualmente, existem mais de 50 bancos digitais sob supervisão do BCE, a maioria deles subsidiárias de grandes grupos bancários. As fintech continuam a desempenhar um papel secundário em termos de volume de depósitos”.
Mas esse cenário está a mudar. Entre 2019 e 2024, os pagamentos em dinheiro nos pontos de venda da zona euro caíram de 73% para 52%, enquanto os pagamentos digitais passaram a representar quase metade de todas as transações. “Os clientes exigem cada vez mais uma experiência multicanal, em tempo real e altamente personalizada, em todos os canais digitais. Pagamentos online, integração digital e produtos financeiros personalizados tornaram-se expectativas básicas, e já não serviços de valor acrescentado”, sublinhou Pedro Machado.
Em 2024, foram registados 572 projetos de digitalização, representando 4,1 mil milhões de euros em investimentos, em bancos sob supervisão do BCE. As principais áreas de investimento foram: infraestruturas de base (42,5%), banca de retalho (35,8%) e banca de empresas e de investimento (13,1%). Os bancos concentraram-se sobretudo em desenvolvimentos de TI — nomeadamente no sistema bancário central e na adoção de soluções em nuvem — e na melhoria da sua oferta de retalho digital.
Segundo o responsável, “com novos atores, como as fintech e os neobancos, prontos para aproveitar estas oportunidades, a concorrência está a aumentar e os bancos tradicionais são obrigados a responder, adotando a inovação e a transformação”. Pedro Machado acrescentou ainda que “como supervisores, estamos a acompanhar este ambiente em rápida mudança para ajudar a garantir que o setor bancário se mantenha estável e resiliente”.
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