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Transferências eletrónicas entre particulares ultrapassam pagamentos em numerário

Cerca de 30% da população portuguesa bancarizada prefere transferências imediatas online em detrimento de outros meios de pagamento.

18 Dez 2025 - 10:51

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O relatório 2025 sobre a “Digitalização dos fluxos de pagamentos entre particulares”, divulgado esta quinta-feira, revela que Portugal lidera os pagamentos imediatos P2P (peer-to-peer), com 45% da população bancarizada a utilizar soluções como o MB Way para transferências entre particulares, ultrapassando, pela primeira vez, os pagamentos em numerário, utilizados por 41% da população nacional.

Da autoria da Nuek, empresa tecnológica especializada em infraestruturas de pagamentos da Minsait (Indra Group), o documento baseia-se numa amostra de 5.200 pessoas bancarizadas com mais de 18 anos em 13 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Itália, México, Peru, Portugal, Reino Unido, República Dominicana e Uruguai). Em Portugal, foram inquiridas 400 pessoas.

Segundo um comunicado da Nuek, “o estudo constata que os pagamentos entre particulares (P2P) deixaram para trás a fase puramente experimental e entraram numa etapa de expansão, convergência funcional e internacionalização. Por um lado, as soluções de pagamentos imediatos consolidam-se como uma alternativa real ao dinheiro em vários mercados; por outro, os utilizadores começam a exigir que as mesmas aplicações que utilizam diariamente nos seus países também lhes permitam enviar dinheiro para o estrangeiro com a mesma facilidade, custo e rapidez”.

“Portugal destaca-se também nos pagamentos online, onde mais de 30% dos utilizadores bancários preferem transferências imediatas em detrimento de outros meios e, nos pagamentos presenciais, é o único país europeu onde as transferências imediatas superam o dinheiro como método preferido, colocando-o na vanguarda da digitalização”, refere o documento.

Dentro de cada segmento de pagamentos (P2P, B2C, B2B, etc.) existem soluções específicas, mas as mais comuns, segundo o Banco Mundial, são os sistemas de pagamento entre pessoas singulares no mesmo país. Estes já contam com uma base sólida de utilizadores, especialmente nos países que foram pioneiros no lançamento de soluções que rapidamente obtiveram apoio tanto das empresas como dos bancos centrais, como é o caso de Portugal, Espanha e Brasil.

Relativamente à possibilidade de utilização de soluções de transferências instantâneas para pagamentos P2P entre diferentes países, a larga maioria dos portugueses (62%) considera tratar-se de uma solução interessante e afirma que a utilizaria — uma percentagem muito superior à do Reino Unido, onde apenas 8% demonstra o mesmo interesse.

Portugal integra já a aliança MB Way–Bizum–BancomatPay, que permite pagamentos imediatos entre Espanha, Itália e Portugal, em conformidade com o novo Regulamento Europeu de Pagamentos Imediatos (2024), o qual exige transferências concluídas em menos de 10 segundos, impulsionando a expansão regional.

“O aumento dos pagamentos peer-to-peer reflete uma transformação prévia, através da qual os utilizadores já não comparam um banco com outro, mas sim a sua experiência de pagamento com a que têm nas suas aplicações móveis. Esperam operar sem barreiras, em tempo real e com transparência, independentemente do país em que se encontram”, afirma Javier Rey, diretor executivo da Nuek. “O desafio passa agora por garantir que a tecnologia, a regulamentação e os modelos de colaboração que envolvem agentes financeiros e não financeiros correspondem a estas expectativas, tanto nos pagamentos nacionais como nas remessas”, acrescenta.

No que respeita às operações de remessas, o custo é atualmente o principal fator limitador face aos pagamentos P2P nacionais. O custo médio de envio de uma remessa de 200 dólares a partir da América Latina é superior a 5%, valor que atinge os 7,5% na Europa e na Ásia Central.

Em Portugal, 31% da população bancarizada utiliza serviços de remessas, registando-se um crescimento de 10 pontos percentuais no último ano. Este canal digital encontra-se em rápida expansão e oferece vantagens económicas significativas: a migração do canal físico para o digital pode reduzir os custos em cerca de 2,6 dólares por cada 200 dólares enviados, graças a taxas e comissões mais baixas.

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