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Tensões geopolíticas podem afetar a capacidade de financiamento dos bancos da Zona Euro
Estudo do BCE e ESRB demonstra que a incerteza geopolítica torna o financiamento mais dispendioso, pela relutância dos investidores.
22 Jan 2026 - 15:52
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Foto: Adobe Stock/Claudio Divizia
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Os bancos da Zona Euro podem ter dificuldades em financiar-se no mercado devido a elevada incerteza geopolítica, especialmente em dólares e outras moedas estrangeiras, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central Europeu e o Conselho Europeu de Risco Sistémico (ESRB, na sigla inglesa).
Este estudo, citado pela Reuters, aponta que, historicamente os bancos tendem a conseguir menos empréstimos no mercado devido a choques geopolíticos. Esta conclusão ganha maior preponderância nos tempos que correm, com Donald Trump a reafirmar as suas pretensões de adquirir a Gronelândia e a desafiar o direito internacional.
A razão pela qual isto acontece prende-se com a maior aversão ao risco por parte dos investidores, tornando o mercado mais caro em tempos de stress. “Olhando para o futuro, um período prolongado de incerteza poderá testar os limites de absorção do financiamento grossista do mercado bancário, especialmente no que diz respeito aos instrumentos denominados em moeda estrangeira”, alertou o ESRB.
Um choque de incerteza na política comercial, concluiu o estudo, levou a uma redução de 5 pontos percentuais (pp) na emissão de financiamento grossista em dólares americanos e noutras moedas que não o euro. Os bancos também reduziram os seus empréstimos em moeda estrangeira devido ao aumento do risco geopolítico e à incerteza da política económico, em 2 pp e 6 pp, respetivamente.
Outro dado possível de constatar com este estudo foi que as vendas de obrigações bancárias e obrigações garantidas foram mais estáveis após os choques. Por outro lado, o financiamento através de títulos garantidos por ativos e hipotecas, bem como dívida de curto prazo, foram mais vulneráveis.
O estudo mostra ainda que os bancos concedem menos crédito quando a política económica americana é mais incerta, verificando-se uma quebra de 4,5% em empréstimos totais e um aumento de cerca de 90 pontos base nas taxas de juro entre os bancos mais expostos aos EUA.
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