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“Temos cerca de 100 pessoas na Sovos cujo trabalho é manterem-se a par das alterações regulatórias nas várias regiões e países do mundo”
O 'chief marketing officer' da Sovos sentou-se à conversa com o Jornal PT50 para falar sobre o impacto do 'compliance' nos negócios, os usos da IA e como a empresa é útil para os seus clientes.
23 Nov 2025 - 10:03
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Foto: Martech Digital
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A Sovos é uma multinacional cujo objetivo passa por auxiliar os clientes nas suas obrigações fiscais, desde o reporte à ‘compliance’. Em entrevista ao Jornal PT50, o ‘chief marketing officer’ (CMO) da empresa, Chris Lynch, falou sobre os desafios dos clientes da Sovos e sobre como a empresa está a evoluir e a encontrar soluções para esses problemas.
Questionado sobre quais os principais desafios identificados nos clientes do setor financeiro e bancário, Lynch apontou para a rápida mudança do panorama regulatório e a dificuldade em acompanhar essas alterações, especialmente na área do ‘compliance’, ilustra. “Temos cerca de 100 pessoas na Sovos cujo trabalho é manterem-se a par das alterações regulatórias nas várias regiões e países do mundo”, revela.
A par das rápidas mudanças, menciona também a “falta de previsibilidade que existe no mundo” como “algo que os impacta”, referindo-se ainda às empresas do setor financeiro. O CMO nota que as pessoas desta área estão “sempre a tentar pensar com avanço”, mas a atual instabilidade do mundo não o permite.
A informação sobre as 100 pessoas dedicadas à atualização de normas regulatórias surge na sequência de uma explicação sobre como, apesar dos avanços da Inteligência Artificial, “ainda há trabalho manual envolvido no acompanhamento de todas as diferentes alterações regulatórias”.
No que diz respeito ao valor dos serviços da Sovos para clientes da área financeira, Lynch é peremptório: “querem ‘compliance’ incorporada nos seus processos”. Colocando-se no papel de um cliente, exemplifica: “Eu não quero ter de me preocupar com a possibilidade de os meus processos não cumprirem a ‘compliance’ de todos os países onde opero”. E é aqui que o CMO diz que entra a Sovos. E, no caso do sistema financeiro, refere que a empresa tem de ser um “conselheiro confiável”, pois as consequências neste setor não são apenas financeiras, mas também judiciais.
“Os governos ainda não sabem o que não sabem”
Ainda no mundo financeiro, uma das regulações europeias mais faladas no último ano é o MiCA, a norma europeia sobre criptoativos que os Estados-membro têm de transpor. Questionado sobe se esta regulação – que visa eliminar barreiras e diferendos entre países da União Europeia sobre a regulação de ativos digitais – vai diminuir a necessidade de as empresas recorrerem à Sovos, Lynch mostra-se despreocupado.
“Cripto é apenas um elemento numa grande cadeia de negócios que as empresas com que trabalhamos têm”, aponta. “Sim, precisamos de trabalhar com elas para assegurar que estão a seguir o ‘compliance’ independentemente de onde têm a sua atividade, mas não vejo isso como um grande fator para nós”, acrescenta. Mais ainda, acredita que o campo da regulação de criptoativos ainda está nos primórdios e, arrisca em tom de brincadeira, “os governos ainda não sabem o que não sabem”.
Sobre a tendência geral de desregulação da administração Trump e a menor necessidade de reporte e ‘compliance’, o CMO da Sovos considera que, mesmo em situações em que a legislação coloca os mínimos mais baixos, as empresas escolhem manter o reporte sobre vários dados. Lynch justifica que isto se pode dever aos negócios quererem um registo destes dados, de forma a poderem estudar e tirar conclusões dos mesmos.
O mesmo se passa, acredita, em relação à possibilidade de as empresas não serem obrigadas a divulgar resultados trimestrais, mas sim semestrais, como Trump já sugeriu. “Muitas empresas dependem da cadência trimestral, pois ela está muito incorporada nos seus processos de negócios e na forma como gostam de entender o arco geral dos seus negócios. Também acho que os investidores gostam de ver as coisas dessa forma e estão acostumados a olhar dessa maneira”, justifica.
IA não automatiza processos a 100% (por enquanto)
O uso de Inteligência Artificial (IA) nos processos da Sovos e das empresas que são suas clientes é uma questão de “tentativa e erro”, na opinião de Lynch. “Eu acho que as pessoas vão ter de continuar a verificar [os processos] por uns tempos à medida que são transferidos para a IA”, acrescenta, defendendo que é assim que, com o tempo, se vai assegurar a confiança na tecnologia.
Por agora, na Sovos, o CMO não tem dúvidas em afirmar que esta tecnologia está a aumentar a produtividade dos 2500 colaboradores da empresa. Para os possíveis usos da IA, dá o exemplo do sistema fiscal americano, onde cada estado tem regimes diferentes e as empresas que operam em todo o país têm de lidar com isso. A possibilidade de uma ferramenta de IA percorrer a informação presente em cerca de 11 mil sistemas diferentes para resolver um problema é algo “muito valioso”.
Apesar de não ter confiança a 100% em IA, Chris Lynch elenca o investimento nesta tecnologia como um dos próximos grandes passos da empresa. O outro foco é trabalhar para se manterem a par da evolução do panorama regulatório, pois é um dos principais valores acrescentados para os clientes da Sovos, defende.
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