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Subida dos preços da habitação aumenta a riqueza líquida das famílias

Ter uma casa representa mais de metade do património das famílias. Depósitos à ordem e a prazo concentram 75,4% dos ativos financeiros

05 Ago 2026 - 11:30

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Bancos preferem renegociar crédito à habitação/Foto: Magnific

Bancos preferem renegociar crédito à habitação/Foto: Magnific

A riqueza líquida das famílias aumentou de forma significativa entre 2020 e 2024, sobretudo devido à forte valorização dos preços da habitação. A riqueza líquida média e mediana cresceram cerca de 21%, em termos reais, face a 2020, atingindo, respetivamente, 278,3 mil euros e 143,3 mil euros, revelou nesta quarta-feira o Banco de Portugal.

Segundo a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira, «em 2024, a residência principal representava cerca de 56% dos ativos reais das famílias. Os grupos com menor riqueza líquida são aqueles em que a percentagem de famílias proprietárias da residência principal é mais reduzida. É o caso das famílias cujo indivíduo de referência se encontra desempregado ou tem menos de 35 anos».

Nos grupos com maior riqueza líquida, os restantes imóveis e os negócios por conta própria assumem um peso relevante nos ativos reais. É o caso das famílias com rendimentos mais elevados e daquelas em que o indivíduo de referência é trabalhador por conta própria ou possui o ensino superior.

A riqueza financeira das famílias continua fortemente concentrada em depósitos, categoria que inclui os certificados de aforro e os certificados do Tesouro. Esta realidade está em linha com a elevada aversão ao risco demonstrada pelas famílias portuguesas.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2024, 75,4% dos ativos financeiros das famílias estavam aplicados em depósitos, dos quais 25,1% correspondiam a depósitos à ordem e 50,3% a depósitos a prazo, incluindo os certificados de aforro e os certificados do Tesouro.

Os ativos transacionáveis, que incluem fundos de investimento, ações cotadas e obrigações, representavam 13,5% dos ativos financeiros. Já os planos voluntários de pensões e os restantes ativos financeiros correspondiam, cada um, a 5,6%.

«A predominância dos depósitos nos ativos financeiros é comum a todas as classes de riqueza, rendimento, grupo etário, condição perante o trabalho e nível de escolaridade. Em todos estes grupos, com exceção das famílias com menor riqueza e daquelas em que o indivíduo de referência está desempregado, o peso dos depósitos a prazo é superior ao dos depósitos à ordem», refere o INE.

O instituto acrescenta ainda que «no conjunto das famílias, 86,6% referem não estar dispostas a assumir quaisquer riscos financeiros na aplicação das suas poupanças, 10,8% admitem assumir riscos financeiros médios, por esperarem obter rendimentos médios, e apenas 2,7% afirmam estar dispostas a assumir riscos financeiros acima da média ou consideráveis».

O peso dos planos voluntários de pensões nos ativos financeiros apresenta um perfil genericamente crescente à medida que aumentam a riqueza, o rendimento e o nível de escolaridade, sendo também mais elevado nas famílias em que o indivíduo de referência se encontra empregado e nas pertencentes aos grupos etários intermédios.

Em 2024, 41,7% das famílias tinham algum tipo de dívida. Entre as famílias endividadas, a mediana da dívida ascendia a 34,5 mil euros e a proporção de famílias com níveis elevados de endividamento era inferior à observada em anos anteriores.

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