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Standard & Poor’s vê 2026 como um bom ano para a banca portuguesa

Para a agência de rating, o aumento da fragmentação parlamentar não deverá comprometer as políticas públicas. A rentabilidade média dos capitais próprios será de 13%.

23 Jan 2026 - 07:15

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Depois do outlook da DBRS, chegou a vez da Standard & Poor’s (S&P) apresentar as suas previsões para a banca portuguesa em 2026. Segundo a agência de rating, é expectável que a economia portuguesa continue a crescer acima da média da área do euro em 2026, com uma taxa de 2,2%, face a 1,1%.

O mercado de trabalho deverá manter-se resiliente e o mercado imobiliário dinâmico, embora se preveja uma desaceleração do crescimento nominal dos preços da habitação, na sequência das recentes medidas governamentais destinadas a melhorar a acessibilidade à habitação e a apoiar a oferta. “Na nossa perspectiva, o aumento da fragmentação parlamentar é pouco provável que comprometa o historial de políticas públicas de Portugal”, refere o relatório.

A rentabilidade dos bancos portugueses deverá manter-se sólida. As receitas operacionais deverão crescer a um ritmo baixo de um dígito, impulsionadas pelo crescimento dos volumes, sendo que a reavaliação dos ativos a taxas mais baixas estará a chegar ao fim. Uma eficiência superior à dos congéneres europeus e perdas de crédito contidas, embora ligeiramente mais elevadas, ajudarão a manter a rentabilidade dos bancos próxima dos níveis de 2025. A S&P projeta que a rendibilidade média dos capitais próprios (ROE) doméstica será de cerca de 13% e que o rácio custo-proveitos rondará os 43%.

A qualidade dos ativos deverá também manter-se estável, enquanto os bancos preservarão perfis sólidos de financiamento e liquidez. A S&P projeta que o rácio médio doméstico de ativos não produtivos (NPL) será de cerca de 3,5% e que o custo do risco rondará os 35 pontos base (pb). Entretanto, os bancos continuarão a ser maioritariamente financiados por depósitos e a manter níveis elevados de liquidez, parte da qual será progressivamente investida em obrigações do Estado.

“O capital deverá consolidar-se nos níveis atuais. A rentabilidade resiliente deverá compensar o crescimento moderado dos ativos ponderados pelo risco (RWA) e as distribuições generosas aos acionistas”, refere o relatório.

Os principais riscos para o setor bancário nacional em 2026, segundo a S&P, prendem-se com a possibilidade de um agravamento das tensões geopolíticas, que poderão “conduzir a um aumento do desemprego, a uma menor concessão de crédito e a perspetivas de negócio mais fracas para os bancos, bem como a uma rápida acumulação de créditos problemáticos”.

Um crescimento especulativo dos preços da habitação poderá também levar a uma inversão do ciclo da procura, com o consequente impacto negativo nos custos de crédito e um aumento do malparado, pressionando a rentabilidade dos bancos. Para a S&P, “o mercado da habitação deverá manter-se dinâmico, mas os aumentos nominais dos preços das casas deverão abrandar, crescendo a uma taxa estimada de 7,0% em 2026, face a cerca de 10% em média no período de 2017 a 2025”.

“As medidas governamentais destinadas a melhorar a acessibilidade à habitação e a apoiar a oferta deverão atenuar parcialmente as pressões existentes”, refere o relatório, acrescentando que “a percentagem de transações de imobiliário residencial financiadas por crédito doméstico continuará a ser consideravelmente inferior aos níveis anteriores, situando-se em cerca de 40%, face a quase o dobro em 2009”.

A S&P conclui que, “desde que o mercado de trabalho se mantenha resiliente, o desempenho do crédito à habitação deverá continuar relativamente favorável”.

Segundo a agência, “nenhum dos bancos portugueses por nós notados beneficia de capacidade adicional de absorção de perdas (ALAC), nem antecipamos que tal venha a acontecer em 2026, sobretudo devido à inexistência de um requisito de subordinação; dois dos maiores bancos encontram-se abrangidos pelo perímetro de resolução das respetivas empresas-mãe”.

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