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S&P Global acredita que regulação sobre BNPL vai beneficiar instituições de crédito tradicionais
A agência de 'rating' aponta que as infraestruturas de 'compliance' das instituições de crédito tradicionais as coloca em vantagem face a entidades que sempre operaram sob pouco escrutínio.
18 Ago 2026 - 07:11
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As instituições de crédito tradicionais podem vir a ganhar terreno no campo do ‘buy now pay later’ (BNPL) graças à legislação que está a caminho. A expectativa é da S&P Global, que argumenta que estas entidades estão munidas de “infraestruturas de ‘compliance’ robustas” que lhes dão uma vantagem.
“Antes das recentes alterações regulamentares na Europa, os prestadores de BNPL não bancários operavam sob requisitos significativamente menos onerosos. É provável que as instituições reguladas já estabelecidas estejam em melhor posição para se adaptarem às novas regras, dadas as suas práticas de concessão de crédito consolidadas, os dados abrangentes sobre crédito ao consumo e as infraestruturas de ‘compliance’ robustas”, argumenta a S&P Global.
Em desvantagem ficam os agentes do mercado não bancários, “que historicamente operaram com menor supervisão e menos requisitos regulatórios do que as instituições de crédito ao consumo tradicionais”. Assim, a agência de ‘rating’ prevê que “uma regulamentação mais rigorosa acabará por beneficiar as instituições de crédito regulamentadas que oferecem produtos BNPL”.
Outras entidades que concedem crédito, estima, o novo quadro regulatório vai aumentar os custos administrativos e relacionados com ‘compliance’, “reduzindo potencialmente a agilidade operacional”.
A “rápida expansão” dos prestadores de serviços BNPL, “especialmente entre os grupos demográficos mais jovens e de rendimentos mais baixos, intensificou o escrutínio regulatório por parte das autoridades, que estão agora a tomar medidas para integrar as ofertas de BNPL nos quadros regulamentares já estabelecidos em matéria de crédito ao consumo”, aponta a agência de ‘rating’.
Custo de vida e incerteza económica são riscos para o BNPL
A S&P Global destaca ainda os riscos para o negócio dos pagamentos parcelados. “A maioria das agências de informação de crédito nos EUA não regista, atualmente, a atividade de BNPL a curto prazo, o que cria lacunas nos perfis de crédito que podem ocultar dificuldades financeiras subjacentes”, explica.
Ou seja, um só consumidor pode acumular vários pagamentos parcelados de uma só vez sem disparar alarmes, pois as entidades não têm toda a informação ao seu dispor.
“Apesar dos esforços para melhorar a transparência, a assimetria de informação no que diz respeito ao histórico de pagamentos e incumprimentos continua a ser um risco fundamental — especialmente tendo em conta que os consumidores podem já se encontrar em dificuldades financeiras e podem continuar a endividar-se, uma vez que as entidades credoras dispõem apenas de informação parcial sobre as suas obrigações”, alerta a S&P Global.
A esta acumulação de dívidas junta-se um cenário macroeconómico desfavorável e, “com o aumento do stress do consumidor, antecipa-se que falhas de pagamento poderão ocorrer”.
“Embora o desempenho atual do crédito se mantenha, de um modo geral, estável, as famílias continuam a enfrentar os efeitos cumulativos de vários anos de preços elevados, o que poderá exercer pressão sobre o rendimento disponível e a capacidade de reembolso, caso os mercados de trabalho enfraqueçam”, avisa.
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