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Sobrevalorização de activos, “bancos-sombra” e dívida soberana são os principais riscos apontados por De Guindos para 2026
Vice-presidente do Banco Central Europeu confirma manutenção da inflação nos 2%, mas considera que “a elevada incerteza no ambiente global não parece estar refletida nos preços atuais do mercado”.
14 Jan 2026 - 11:44
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Luis de Guindos, Vice-presidente do BCE/Foto: BCE
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Luis de Guindos, Vice-presidente do BCE/Foto: BCE
A poucos meses de deixar o cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o que acontecerá no próximo dia 31 de Maio, Luis de Guindos interveio nesta quarta-feira em Espanha, por ocasião da 16.ª edição do Dia do Investidor. O responsável traçou um cenário das principais ameaças à estabilidade financeira em 2026, considerando que, apesar de a inflação se manter estável no patamar dos 2% e de a economia se apresentar resiliente — com as previsões a apontarem para um crescimento de 1% este ano e de 1,4% nos anos seguintes — existe “uma elevada incerteza no ambiente global que não parece estar refletida nos preços atuais do mercado”.
“De facto, surpresas negativas — como uma nova escalada das tensões comerciais ou geopolíticas, retrocessos nos avanços da inteligência artificial com ajustamentos nos preços dos ativos, ou dúvidas crescentes sobre a credibilidade fiscal dos EUA — podem desencadear mudanças abruptas no sentimento dos mercados, com repercussões em diversas classes de ativos e regiões geográficas”, afirmou o vice-presidente do BCE.
A materialização dos riscos geopolíticos poderá funcionar como o “gatilho” para o surgimento das três principais ameaças à estabilidade económica e financeira da zona euro.
Para De Guindos, a primeira dessas ameaças prende-se com “as avaliações elevadas em mercados de ativos cada vez mais concentrados”, que “aumentam o risco de ajustamentos bruscos e correlacionados nos preços dos ativos”. Retrações repentinas do mercado podem representar desafios para as instituições não bancárias da zona euro, sobretudo devido às suas vulnerabilidades em termos de liquidez e alavancagem, aumentando o risco de vendas forçadas. Acresce ainda que a falta de transparência dos mercados de private equity pode facilmente provocar ou amplificar quedas nos mercados financeiros.
A segunda grande ameaça está interligada com a primeira e relaciona-se com a crescente importância dos chamados “bancos-sombra” no financiamento das empresas. “A crescente interligação entre os bancos e o sector financeiro não bancário pode expor vulnerabilidades de financiamento em condições de mercado adversas. Como as instituições não bancárias fornecem financiamento de curto prazo aos bancos, enquanto estes concedem crédito às atividades alavancadas do sector não bancário, os riscos aplicam-se a ambos os lados dos balanços bancários”, sublinhou.
Por último, De Guindos alertou para o risco associado à dívida soberana, salientando que “os desafios fiscais em algumas economias avançadas podem testar a confiança dos investidores, possivelmente desencadeando tensões nos mercados de dívida soberana”.
Segundo o responsável, “as preocupações do mercado com a credibilidade fiscal dos EUA aumentaram devido aos défices fiscais persistentemente elevados, contribuindo para uma inclinação acentuada das curvas de rendimentos”. Esta situação poderá gerar efeitos de contágio para a zona euro, amplificados pela incerteza política e pela depreciação do dólar.
“Os fundamentos fiscais em alguns países da zona euro também se têm mantido persistentemente frágeis. Ainda assim, os mercados financeiros têm, até agora, absorvido sem grandes dificuldades os elevados níveis de emissão, embora os desafios estruturais possam limitar ainda mais o espaço fiscal”, acrescentou.
Face a este cenário, Luis de Guindos considera fundamental preservar a resiliência dos bancos e do sistema financeiro em geral. “Os bancos devem manter posições sólidas de solvência e liquidez, de forma a poderem absorver potenciais choques futuros. Ao mesmo tempo, estamos a envidar esforços significativos para reduzir complexidades desnecessárias e simplificar as regras bancárias da União Europeia, bem como o quadro de reporte e supervisão bancária”, concluiu.
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