3 min leitura
Simplificação da supervisão não será sinónimo de menos capital
De Guindos apresentará menos medidas, mas não haverá alívio no capital que os bancos devem manter para se protegerem contra possíveis choques.
09 Dez 2025 - 16:11
3 min leitura
Luís de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu/Fonte. BCE
Mais recentes
- 2025 bateu o recorde de depósitos de particulares nos bancos
- Revolut lança primeiro cartão ‘ultra-premium’ para empresas no Reino Unido
- DBRS vê sistemas de pagamentos sem impacto com o conflito no Médio Oriente
- Novo Banco debate descarbonização e resiliência a riscos climáticos em ‘Semana da Sustentabilidade’
- Dono do brasileiro Banco Master detido
- Suíça já escolheu as novas notas para 2030
Luís de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu/Fonte. BCE
O Banco Central Europeu (BCE) vai propor a simplificação das regras relativas às reservas de capital exigidas aos bancos, reduzindo parte da complexa regulamentação implementada após a crise financeira global, disseram nesta terça-feira à agência Reuters duas fontes conhecedoras das propostas.
A lista de medidas que o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, apresentará na quinta-feira visa simplificar, e não necessariamente reduzir, a quantidade de capital que os bancos devem manter nos balanços para se protegerem contra eventuais choques.
Esta é uma abordagem mais conservadora do que a adotada recentemente pelos reguladores no Reino Unido e nos Estados Unidos, e pode dececionar os banqueiros que esperavam maior flexibilidade.
As recomendações, resultado de um compromisso entre diferentes países da União Europeia (UE), visam fundir a reserva de risco sistémico (SyRB) e a reserva de capital contracíclica (CCyB), dois requisitos de capital distintos definidos pelos supervisores nacionais, disseram as mesmas fontes.
Um porta-voz do BCE recusou-se a comentar.
Especialistas financeiros afirmaram que a simplificação é bem-vinda, dado que o sistema atual se tornou demasiado complexo, mas consideram que isso não deverá levar os bancos a manter menos capital. “A regulamentação rigorosa é um fator fundamental que sustenta as classificações dos bancos europeus”, afirmou Marco Troiano, diretor da Scope Ratings.
“Até agora, a mensagem do BCE tem sido muito consistente: há margem para simplificar a estrutura, mas isso não deve conduzir a menos capital a nível sistémico. Acolho favoravelmente esta abordagem”, acrescentou.
As recomendações do BCE serão posteriormente enviadas para a Comissão Europeia, órgão executivo que partilha o poder de propor alterações à legislação da UE com o Parlamento Europeu e o Conselho, onde estão representados os Estados-membros.
Estas alterações demorariam anos e poderiam reabrir antigos debates sobre até que ponto a Europa deve avançar no afrouxamento das regulamentações criadas para proteger os contribuintes da obrigação de resgatar bancos em dificuldades — normas que estiveram na génese da criação do Fundo de Resolução.
Os banqueiros têm argumentado que as regras são demasiado complexas. Os mecanismos de proteção do SyRB e do CCyB foram introduzidos pela UE, composta por 27 países, como parte da reforma pós-crise destinada a evitar um novo colapso do setor bancário como o ocorrido na grande crise financeira de 2007-2008.
Os banqueiros afirmam que estas regras colocam os bancos europeus em desvantagem face aos seus pares americanos, sobretudo num momento em que o governo de Donald Trump lidera uma iniciativa de desregulamentação.
Na sexta-feira, os reguladores dos EUA revogaram diretrizes destinadas a restringir os empréstimos alavancados, o que contribuiu para a transferência de negócios para fundos de crédito privado sujeitos a regulamentação mais branda.
Na semana passada, o Banco de Inglaterra reduziu a sua estimativa do montante de capital que os bancos precisam de manter — a primeira redução desde a crise — numa tentativa de impulsionar o crédito e apoiar o crescimento, embora tenha mantido inalterada a sua reserva de capital anticíclica.
O relatório do BCE, que coroa meses de trabalho de uma equipa especial criada especificamente para estudar a simplificação da regulamentação, defenderá a ideia de reduzir os requisitos a apenas dois tipos: os que podem ser libertados em momentos de crise e os que os bancos devem manter permanentemente.
Mais recentes
- 2025 bateu o recorde de depósitos de particulares nos bancos
- Revolut lança primeiro cartão ‘ultra-premium’ para empresas no Reino Unido
- DBRS vê sistemas de pagamentos sem impacto com o conflito no Médio Oriente
- Novo Banco debate descarbonização e resiliência a riscos climáticos em ‘Semana da Sustentabilidade’
- Dono do brasileiro Banco Master detido
- Suíça já escolheu as novas notas para 2030