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Santos Pereira: “Quando ataquei os casinos e as rendas da energia tentaram ridicularizar-me”

Na sua primeira entrevista como governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira identificou o mercado imobiliário como o maior risco interno para a economia e disse que os bancos de não estão a cumprir as orientações sobre as maturidades

08 Jan 2026 - 07:15

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Foto: Banco de Portugal

Foto: Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal deu a sua primeira entrevista à RTP e abordou diversos temas. Álvaro Santos Pereira recordou os seus tempos como ministro da Economia, quando foi apelidado de ministro do “pastel de nata”, depois de, em 2012, ter afirmado numa entrevista: “Porque não existe um franchising de pastéis de nata? Os pastéis de nata podem ser tão vendáveis como os churrascos Nando’s ou os hambúrgueres.”

O governador explicou o epíteto e disse: “Quando estava a atacar os casinos, as rendas da energia e as rendas das PPP tentaram ridicularizar-me. O que eu disse foi que Portugal devia apostar a sua economia em várias vertentes, desde a tecnologia até aos produtos mais tradicionais.”

A grande preocupação de Álvaro Santos Pereira a nível interno é o mercado imobiliário e a subida do preço das casas. O governador reiterou o que disse no seu discurso de posse:
“O que é preciso é oferta, oferta, oferta.”

“No último Boletim Económico, mostramos que, nos últimos 10 anos, a procura tem excedido a oferta de casas”, referiu, manifestando preocupação pelo impacto que a subida dos preços pode ter no orçamento das famílias.

Ainda no setor imobiliário, Álvaro Santos Pereira disse que a banca não está a cumprir as recomendações do Banco de Portugal em relação à maturidade dos empréstimos. Recorde-se que o supervisor pretende que a maturidade média dos novos contratos de crédito à habitação convirja para cerca de 30 anos, de modo a reduzir a exposição dos bancos e dos mutuários a riscos associados a prazos excessivamente longos.

“Gostaria de tornar essas recomendações vinculativas e já manifestei a minha intenção nesse sentido”, afirmou Santos Pereira, que acrescentou: “Não podemos entrar numa onda de facilitismo”, embora considere que, ao nível da taxa de esforço e da aplicação da garantia do Estado para a compra de casa pelos jovens, a banca tem estado a cumprir todas as regras.

Quanto aos lucros dos bancos, o governador considera que “ter bancos a dar lucros é uma boa notícia”, mas no que diz respeito à cobrança de comissões, referiu que o banco “está a estudar o assunto” e a observar o que foi feito no Reino Unido.

Santos Pereira não está preocupado com o investimento estrangeiro na banca portuguesa e assume-se relativamente indiferente quanto à existência de um banco detido pelo Estado:
“Desde que os bancos públicos não façam política económica, não tenho nenhum problema; não é uma mais-valia nem uma menos-valia.”

Para 2026, o governador prevê que o crescimento da economia portuguesa continue “robusto” (2%), com os motores desse crescimento a serem o “consumo interno, embora as famílias estejam a poupar mais, e o investimento através do PRR”. A grande incógnita será o “comportamento das exportações”, considerando que os produtos portugueses estão a perder quota de mercado.

Em termos de contas públicas, Álvaro Santos Pereira foi claro:
“Em 2026, se nada for feito, vai haver défice. Se não existirem mais medidas do lado da receita ou da despesa, haverá um défice de -0,4%, mas mesmo com esse défice a dívida vai baixar para abaixo de 80% em 2028, atualmente está nos 90%.”

O governador anunciou ainda uma novidade para os trabalhadores do Banco de Portugal:
“As mães e pais do Banco de Portugal vão ter 12 meses de licença de parentalidade, como acontece nos países nórdicos. Nos primeiros 9 meses receberão 80% do salário e, nos restantes 3 meses, 50%. Vão receber 100% se trabalharem a tempo parcial.”

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