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Preservar os bons resultados e preparar o futuro
Por Álvaro Santos Pereira, Governador do Banco de Portugal
02 Fev 2026 - 07:30
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Nos últimos anos, as nossas economias têm sido afetadas por sucessivos choques e desafios, incluindo a pandemia, a guerra na Ucrânia, a crise energética, o surto de inflação, e a vaga de protecionismo comercial. Apesar do contexto de elevada incerteza, a economia mundial cresceu acima de 3% em 2025 e a economia europeia deverá ter superado o ritmo inicialmente previsto.
Portugal continuou a convergir com a área do euro. As previsões de dezembro do Banco de Portugal antecipam um crescimento de 2,3% em 2026 e 1,7% em 2027, após um 2025 que deverá fechar nos 2%. Refletindo o desempenho do mercado de trabalho, em conjunto com os fundos europeus e as medidas orçamentais, o consumo privado e o investimento ganham protagonismo em relação às exportações. Contudo, menores fluxos de imigrantes e o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) deverão penalizar a atividade a curto prazo.
Ainda assim, há um desenvolvimento recente que deveremos monitorizar com atenção: em 2025, houve uma perda de quota de mercado das exportações portuguesas, especialmente aquelas que têm como destino a União Europeia. É fundamental perceber se esta perda de quota de mercado foi temporária ou se será mais permanente. A internacionalização da economia nacional tem sido uma história de sucesso na última década e meia e é essencial continuar a ser reforçada.
Por outro lado, Portugal tem hoje uma economia mais equilibrada e um sistema financeiro sólido. Mas esse sucesso não pode dar lugar à complacência. Será decisivo preservar as conquistas dos últimos anos e evitar repetir os erros do passado. O desendividamento das famílias, empresas e setor público deve prosseguir e, por outro lado, é necessário promover reformas que permitam acelerar o crescimento.
Neste sentido, uma área onde não pode haver recuos é nas contas públicas. Os excedentes dos últimos anos enfrentam hoje pressões mais fortes do lado da despesa e da receita. A projeção de diminuição do rácio da dívida pública não nos deve fazer esquecer que o seu valor é ainda muito elevado. É fundamental manter a disciplina orçamental para que todos continuem a beneficiar de custos de financiamento baixos e para conservarmos margem de atuação na eventualidade de um choque adverso.
Não faltam desafios no nosso horizonte económico. Grande parte deles tem origem externa, entre tensões geopolíticas, sinais de exuberância nos mercados financeiros e o endividamento em várias regiões do globo. Internamente, é impossível não destacar os riscos no mercado imobiliário e o agudizar das dificuldades de acesso à habitação. Os preços das casas têm aumentado a um ritmo forte, pressionados por uma procura que supera significativamente a oferta. A construção de novas casas terá de ser reforçada nos próximos anos, o que exigirá, entre outras medidas, acelerar os licenciamentos e um investimento substancial no parque público de habitação.
A estes riscos juntam-se desafios estruturais que não podemos ignorar: o envelhecimento da população, a transição energética, bem como o desenvolvimento e a incorporação de novas tecnologias, com destaque para a Inteligência Artificial.
Nestes períodos marcados por uma grande incerteza, os bancos centrais devem servir como uma âncora, garantindo estabilidade financeira e de preços. A atuação do Banco de Portugal será guiada pela determinação de diminuir riscos e vulnerabilidades, com o objetivo de promover a resiliência do setor financeiro. O nosso compromisso é uma supervisão vigilante, prudente e ativa.
Em suma, a economia portuguesa resistiu a múltiplos choques e a um contexto internacional incerto, apoiada nas transformações económicas e orçamentais da última década e meia. Agora é altura de colocar os olhos no futuro: é essencial preservar os bons resultados obtidos (ao nível da competitividade e do desendividamento), e adotar reformas estruturais que nos permitam atingir níveis de crescimento mais elevados e melhorias no bem-estar dos portugueses.
Artigo escrito por Álvaro Santos Pereira e publicado originalmente na Revista InforBanca.
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