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Powell deverá fazer uma pausa na descida dos juros

Analistas consideram que não existem fundamentos para a continuação do “ciclo de cortes preventivos”.

28 Jan 2026 - 07:15

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Jerome Powell, presidente da FED | Foto: FED

Jerome Powell, presidente da FED | Foto: FED

Nesta quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana vai decidir se mantém as taxas de juro no intervalo entre 3,50% e 3,75% ou se procede a uma descida. Para a maioria dos analistas, não existe urgência económica para continuar o abrandamento monetário em janeiro. Após um corte agressivo (hawkish) das taxas em dezembro e uma flexibilização cumulativa de 75 pontos base nas últimas três reuniões, espera-se que o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) adote uma postura cautelosa.

Segundo a estimativa de Michael Krautzberger, diretor de investimento (CIO) global de Mercados Públicos da Allianz Global Investors (AllianzGI), os dados macroeconómicos recentes — incluindo um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre mais forte do que o esperado e uma descida da taxa de desemprego em dezembro — apontam para um ambiente económico robusto e sustentado. Embora a inflação subjacente do índice de preços no consumidor (IPC) tenha moderado no último trimestre do ano passado, a inflação subjacente do índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), o indicador de preços preferido da FED, mantinha-se ainda num nível elevado de 2,8% em novembro, em termos homólogos.

As revisões significativas em alta das projeções medianas de crescimento do PIB, juntamente com revisões mais moderadas em baixa do desemprego e da inflação, refletiram uma confiança crescente num cenário mais favorável, impulsionado pela inteligência artificial e pela produtividade. Mesmo neste ambiente mais otimista, a trajetória mediana da taxa de juro continuou a apontar para cortes de 25 pontos base (p.b.) tanto em 2026 como em 2027, no contexto de uma ampla dispersão de perspectivas.

A mesma análise é partilhada pelos especialistas da Bankinter Gestão de Ativos, que consideram que “analisando estritamente os dados atuais — com uma inflação em processo de moderação e um mercado laboral que, aparentemente, se mantém equilibrado — não parecem necessárias nem subidas nem descidas das taxas no curto prazo”.

“No entanto, alguns indicadores do mercado de trabalho apontam para um certo abrandamento, o que poderá levar a Reserva Federal a implementar cortes adicionais. A isto acresce a próxima renovação do Conselho da Fed, que poderá traduzir-se numa orientação mais acomodatícia da política monetária. Neste contexto, mantemo-nos alinhados com as duas descidas adicionais que o mercado atualmente antecipa (em 2026), ainda que a elevada incerteza aconselhe prudência”, referem os responsáveis.

Em termos de pressões políticas, os analistas da Allianz Global Investors consideram que, após o confronto legal que levou o Departamento de Justiça (DOJ) a intimar a FED — aumentando o risco de uma acusação criminal relacionada com o depoimento do presidente Jerome Powell ao Senado, em junho passado, sobre o projeto de renovação da sede —, “os decisores de política monetária podem unir-se e projetar uma imagem de unidade, tornando-se menos propensos a continuar a cortar as taxas de juro na ausência de uma debilidade económica visível. As incertezas em torno da nomeação do novo presidente da FED e a iminente demissão da governadora Cook agravam esta situação”.

Para estes responsáveis, mais do que a decisão que será tomada nesta quarta-feira, “os comentários de Powell durante a conferência de imprensa poderão ser mais impactantes para os mercados do que a própria decisão sobre a taxa de juro, particularmente qualquer indicação de que pretende permanecer no Conselho como governador até 2028, mesmo após o fim do seu mandato como presidente, em maio”.

“Uma decisão de manter a taxa de juro inalterada, amplamente esperada, não deverá, por si só, desencadear reações significativas nos mercados. No nosso cenário base de crescimento razoável e de inflação mais persistente do que o antecipado pelo consenso e pela Reserva Federal, continuamos a prever um corte final da taxa de juro neste ciclo no segundo trimestre, para uma taxa terminal ligeiramente superior à atualmente incorporada nos preços do mercado monetário”, referem os especialistas da Allianz Global Investors.

A próxima reunião da FED está marcada para 17 e 18 de março e será ainda presidida por Jerome Powell, cujo mandato termina apenas a 15 de maio de 2026.

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