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Paulo Macedo: «Não há dilema europeu nenhum! Ou nos defendemos… ou nos defendemos!»

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos explicou, no Porto, a sua visão sobre o que será o mundo em 2026

26 Jan 2026 - 18:18

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Paulo Macedo, CEO da CGD | Foto: CGD

Paulo Macedo, CEO da CGD | Foto: CGD

Realizaram-se no Porto, nesta segunda-feira, os primeiros Encontros Fora da Caixa de 2026. A iniciativa de reflexão estratégica organizada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), que entra agora num novo ano de realização, juntou a Comissão Executiva do banco público e vários convidados. Paulo Macedo deu início à sessão, tomando como base as projeções da revista The Economist para 2026.

Sobre a questão do chamado «dilema europeu», o presidente executivo da CGD foi claro: «Já não há dilema europeu nenhum! Ou nos defendemos… ou nos defendemos!».

No que respeita aos desafios da Inteligência Artificial (IA), o responsável mostrou-se convicto da «influência estrutural» que a IA terá na forma como iremos trabalhar no futuro. Entre os riscos para 2026, Paulo Macedo destacou ainda a persistência dos riscos climáticos: «É algo que persiste ano após ano».

A chamada «nova era» em que vivemos — «verbalizada pela primeira vez pelo Papa Francisco, ainda antes de existir uma Administração Trump», recordou o CEO da CGD — foi, segundo Paulo Macedo, confirmada nos encontros de Davos, na Suíça, pelo discurso do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.

Essa «nova diplomacia», referiu, «introduziu de forma clara e sem qualquer subtileza os negócios e as contrapartidas. Vemos tarifas a serem introduzidas a troco de tudo. Contra discursos que não são bem interpretados — ou foram bem interpretados — para libertar pessoas, mas também como instrumento económico. Não nos iludamos: os Estados Unidos têm um défice colossal que precisa de ser financiado».

«Não nos iludamos: as tarifas vieram para ficar. A questão é saber se vão ficar num valor razoável. Na semana passada, por exemplo, o champanhe e os vinhos franceses iam ser tributados a 200%», acrescentou.

Para o presidente da CGD, «o presidente Trump gere os Estados Unidos como se fosse um CEO», uma imagem de que Paulo Macedo ironicamente se arrependeu de ter utilizado: «Mas porque é que estou a falar mal dos CEOs, se eu também sou um CEO?», disse, sublinhando que não é «muito natural gerir um país da mesma forma que se gere uma empresa, com uma lógica de transacionalidade constante».

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