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OPA do BBVA cai definitivamente por terra, mas banco já está focado no futuro

O BBVA conseguiu obter apenas 25,33% das ações do Sabadell. Presidente não se demite e anuncia recompra de ações adicional e foco no plano estratégico.

17 Out 2025 - 11:42

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Fotos: BBVA e Sabadell

Fotos: BBVA e Sabadell

O BBVA viu a sua tentativa de aquisição do rival Banco Sabadell cair definitivamente por terra após um processo que durou um ano e meio.  Segundo comunicou a Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV), a Oferta Pública de Aquisição (OPA) resultou na aquisição de 25,33% das ações do Sabadell, ficando abaixo do limiar das 50% de ações mais uma, necessárias para o sucesso da operação.

O banco não conseguiu, também, alcançar o patamar dos 30%, que o obrigaria a lançar uma segunda OPA, totalmente em dinheiro, cujo valor teria de ser indicado pelo regulador do mercado espanhol. As ações que foram trocadas ao abrigo da OPA, avaliada em mais de 16 mil milhões, devem agora retornar aos seus detentores, como explica a CNMV, ficando os custos do lado do BBVA.

O presidente do banco proponente já rejeitou a hipótese de demissão. Citado pela agência Reuters, Carlos Torres reitera o que afirmou no passado: “o resultado deste processo não tem qualquer influência sobre a minha continuidade no banco”. Torres sublinha ainda que, a par do CEO, Onur Genç, tinha todo o apoio da administração e dos acionistas do BBVA.

Numa nota de imprensa, o banco, por um lado, assumiu a derrota neste processo, não tendo conseguido adquirir o rival doméstico. Por outro lado, o BBVA mostra-se empenhado em olhar para o futuro e adianta que vai recomeçar o seu plano de recompra de ações pendente, no valor de mil milhões de euros. Além deste plano pendente, o banco adianta que aguarda aprovação do Banco Central Europeu para colocar em marcha outro plano de recompra.

O BBVA destaca ainda o dividendo intercalar a ser distribuído a 7 de novembro – o maior de sempre, realça – de 32 cêntimos, num total de 1,8 mil milhões. Dividendo este que a instituição usou para tentar seduzir os acionistas do Sabadell.

O presidente do BBVA indica que, agora, o banco olha para o futuro “com confiança e entusiasmo”. Com foco no plano estratégico 2025 – 2028, o banco reforça a sua meta de devolver aos acionistas 36 mil milhões neste período. Paralelamente, almeja um RoTE de 22% e um rácio de eficiência a rondar os 35%.

Um banco vendido, um Governo metediço e uma OPA falhada

A OPA sobre o Sabadell não foi linear, com várias reviravoltas e muita persistência por parte do BBVA. A oferta hostil foi lançada em maio de 2024, após uma primeira abordagem amistosa – obviamente sem efeito. Desde então, o banco adaptou a sua oferta com a intenção de agradar à instituição visada, sempre sem sucesso.

A proposta inicial do BBVA era de trocar uma ação sua por cada 4,83 ações do Sabadell, o que, à data implicava um prémio de 30% sobre o valor das ações do banco. A oferta foi depois atualizada, em outubro de 2024, para um rácio de troca de 5,0196, com um adicional de 5,7 euros por ação em dinheiro. Já no início de 2025, o BBVA retirou de cima da mesa as ações em tesouraria, de forma a facilitar o sucesso da OPA.

No início de setembro, antes do período de oferta, surgiu uma nova atualização, com o BBVA a oferecer uma ação sua por cada 5,5483 do Sabadell, à qual acrescentava 70 cêntimos em dinheiro por cada ação. Por fim, no final do mesmo mês, surge a oferta final: uma ação do BBVA por cada 4,8376 do Sabadell, ficando próximo da primeira de todas.

Do lado do Sabadell, nunca houve abertura para uma fusão. O banco rejeitou a oferta desde início, bem como as atualizações. Sabido o resultado da OPA, o presidente do Sabadell, Josep Oliu, considerou que este é o melhor caminho para ambas as entidades. “Duas grandes instituições que geram mais valor separadas do que juntas”, defender, citado pela Reuters.

O banco catalão recorreu a vários meios para fugir à compra, com o mais notável a ser a venda da subsidiária britânica, o TSB, ao Grupo Santander por 3,1 mil milhões. Esta operação permitiu ao Sabadell colocar à frente dos acionistas um dividendo extraordinário de 2,5 mil milhões de euros, ao qual só poderiam aceder caso não aceitassem a OPA, pois só vai ser distribuído em janeiro.

Esta estratégia teve a ajuda do Governo espanhol, que decretou que os bancos não poderiam fundir-se legalmente durante, pelo menos, três anos, caso a OPA fosse bem-sucedida. Esta intervenção valeu a Espanha a abertura de um processo pela Comissão Europeia, devido à sua interferência no mercado.

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