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Nubank quer licença bancária nos EUA e desafia a Revolut no mercado das fintechs

Banco digital brasileiro é a instituição financeira mais valiosa da América Latina, avaliada em mais de 76 mil milhões de euros.

03 Fev 2026 - 15:05

4 min leitura

Foto: nubank

Foto: nubank

O Nubank, banco digital brasileiro fundado há 13 anos por um trio de jovens empreendedores de São Paulo com o objetivo de criar um novo banco digital, entrou em bolsa na Bolsa de Valores de Nova Iorque e alcançou uma avaliação de 90 mil milhões de dólares (76 mil milhões de euros), conquistando o título de instituição financeira mais valiosa da América Latina, noticiou esta terça-feira o Financial Times.

A instituição brasileira desafia a Revolut, considerada a campeã europeia das fintechs, dois anos mais nova e com um modelo de negócio ligeiramente diferente. A Revolut ainda não realizou a sua oferta pública inicial (IPO) e, apesar de a sua avaliação ter aumentado cerca de dois terços nos últimos dois anos, a empresa britânica é avaliada em cerca de 75 mil milhões de dólares (63,3 mil milhões de euros).

Mas o percurso do Nubank está longe de terminado. Apesar de contar com mais de 120 milhões de clientes na sua região de origem e de registar lucros crescentes trimestre após trimestre, o neobanco — tal como a Revolut — tem agora os olhos postos num objetivo potencialmente maior: o mercado dos Estados Unidos.

Já presente no México e na Colômbia, o pedido do Nubank para obter uma licença bancária nos EUA visa lançar, pela primeira vez, uma das fintechs mais bem-sucedidas do mundo numa economia desenvolvida. A empresa anunciou na semana passada que recebeu uma aprovação condicional para a nova instituição, que pretende capitalizar ao longo do próximo ano e lançar no prazo de 18 meses.

O seu diretor executivo e cofundador, o milionário David Vélez, não tenciona ficar por aqui. “A próxima década vai centrar-se na forma como passamos de um banco brasileiro para uma empresa tecnológica global que, por acaso, opera nos serviços financeiros”, afirmou o colombiano numa entrevista ao Financial Times, antes de o Nubank ter recebido a aprovação condicional das autoridades norte-americanas. “Haverá países para além das Américas nos próximos 12 a 24 meses.”

As ambições são reforçadas por uma valorização de mais de 50% do preço das ações da Nu Holdings em 2025, a entidade cotada em bolsa. Sustentada por resultados sólidos, a sua capitalização bolsista ultrapassou a do maior banco do Brasil, o Itaú Unibanco — que detém 545 mil milhões de dólares em ativos, face aos 68 mil milhões de dólares do Nubank.

Será uma espécie de regresso a casa para Vélez, de 44 anos, licenciado pela Universidade de Stanford e antigo colaborador da empresa de capital de risco da Silicon Valley, Sequoia, que irá mudar-se da sua atual residência no Uruguai para o escritório do Nubank em Palo Alto.

O “sonho americano” do Nubank colocará à prova um modelo que revolucionou o setor bancário no seu país de origem. Começando como um cartão de crédito baseado numa aplicação, em 2014, o Nubank desafiou um oligopólio no Brasil que deixava milhões de pessoas excluídas ou mal servidas e que tinha uma reputação de fraco atendimento ao cliente.

Sem os custos associados à manutenção de agências físicas, o Nubank conseguiu prescindir de muitas das comissões cobradas pelos operadores tradicionais em serviços básicos, como contas à ordem, defendendo que os seus menores custos operacionais e a tecnologia permitiram oferecer produtos mais baratos.

Depois de ter atingido pela primeira vez a fasquia de mil milhões de dólares de lucro anual em 2023, os analistas preveem que o Nubank apresente este mês um resultado líquido de 2,9 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) em 2025, segundo dados da S&P Global — acima dos 2 mil milhões registados no ano anterior. O seu retorno sobre capitais próprios, uma medida de rentabilidade no setor, atingiu 31% no terceiro trimestre, superando concorrentes como o Itaú, o Bradesco e o Santander Brasil.

Os analistas alertam, no entanto, que o mercado bancário dos Estados Unidos é mais competitivo do que os três países onde o Nubank opera atualmente e questionam se a empresa conseguirá alcançar naquele mercado o mesmo nível de resultados.

“Do ponto de vista estratégico, faz sentido, mas existem algumas dúvidas quanto à rentabilidade que poderão alcançar e à possível dispersão de esforços”, afirmou Gustavo Schroden, diretor de análise de ações do Citigroup.

Em resposta a estas preocupações, Vélez afirmou que 60% dos colaboradores continuam focados no Brasil, estando apenas um em cada dez dedicado ao processo de internacionalização.

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