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Novo ano começa com aperto no crédito
BCE fala em “aperto líquido inesperado nos critérios de crédito”, com exceção do crédito à habitação. Instituições financeiras mostram menor tolerância ao risco.
03 Fev 2026 - 11:46
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Foto: Unsplash/Andre Taissin
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Foto: Unsplash/Andre Taissin
O ano de 2026 começa com um aperto no crédito por parte dos bancos. De acordo com o Inquérito sobre o Crédito Bancário (ICB) de janeiro de 2026, realizado pelo Banco Central Europeu (BCE) e divulgado nesta terça-feira, “no primeiro trimestre de 2026, os bancos esperam um aperto líquido moderado adicional nos critérios de crédito para empresas, um ligeiro aperto nos empréstimos à habitação e um aperto mais acentuado no crédito ao consumo”.
Este travão sucede-se a “um aperto líquido inesperado nos critérios de crédito (orientações internas dos bancos ou critérios de aprovação de empréstimos) para empréstimos ou linhas de crédito a empresas no quarto trimestre de 2025”.
“Os bancos reportaram uma ligeira flexibilização líquida dos critérios de crédito para empréstimos a famílias para aquisição de habitação (percentagem líquida de -2%), enquanto os critérios de crédito para o crédito ao consumo e outros empréstimos a famílias se tornaram ainda mais rigorosos (percentagem líquida de 6%)”, refere o inquérito do supervisor europeu.
No caso das empresas, as restrições ao crédito começaram logo no terceiro trimestre de 2025, indica o BCE, sublinhando que “as preocupações com as perspetivas das empresas e da economia em geral, bem como a menor tolerância ao risco por parte dos bancos, contribuíram para o aperto dos critérios de crédito”.
Os bancos indicaram uma ligeira flexibilização líquida dos critérios de crédito para empréstimos à habitação, que não antecipavam, e um aperto líquido adicional dos critérios de crédito no crédito ao consumo, que superou as expectativas reportadas no trimestre anterior.
Nos empréstimos imobiliários, a concorrência teve um impacto mais flexibilizador nos critérios de crédito, enquanto a perceção de risco teve um impacto mais restritivo. A menor tolerância ao risco e a maior perceção de risco por parte dos bancos foram os principais fatores que impulsionaram o aperto no crédito ao consumo.
Os bancos reportaram um aumento líquido da proporção de pedidos de empréstimo rejeitados no caso das empresas e do crédito ao consumo, enquanto essa proporção se manteve inalterada, em termos líquidos, nos empréstimos à habitação. O aumento líquido foi superior ao do trimestre anterior no caso das empresas, mas inferior no caso das famílias.
Os bancos relataram ainda um pequeno impacto líquido de aperto dos rácios de crédito malparado e de outros indicadores de qualidade do crédito nos seus padrões de concessão para todas as categorias de empréstimos no quarto trimestre de 2025, sendo a perceção e a aversão ao risco os fatores mais relevantes.
No primeiro trimestre de 2026, os bancos esperam um novo pequeno impacto de aperto nos empréstimos às empresas e no crédito ao consumo, prevendo um impacto neutro nos empréstimos à habitação.
Relativamente aos setores da economia, os critérios de crédito tornaram-se mais restritivos na construção, no comércio grossista e retalhista, na indústria transformadora com uso intensivo de energia e no imobiliário comercial, sendo o aperto líquido mais acentuado na indústria automóvel.
O aperto manteve-se moderado no setor industrial no seu conjunto, enquanto os serviços não financeiros, com exceção do imobiliário comercial, não registaram aperto líquido ou apresentaram apenas um ligeiro constrangimento.
Os bancos relataram igualmente um aumento líquido da procura de empréstimos nos serviços não financeiros, com exceção do imobiliário comercial, e nenhuma alteração ou apenas ligeiras quedas noutros setores no segundo semestre de 2025.
Para o primeiro semestre de 2026, os bancos esperam um aperto líquido ainda maior ou critérios de crédito praticamente inalterados nos principais setores económicos. Antecipam ainda um aumento líquido da procura de empréstimos na maioria dos setores, com exceção da indústria automóvel, do comércio grossista e retalhista e do imobiliário comercial.
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