Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Mesmo com fusões, os bancos europeus são incapazes de destronar os americanos na banca de investimento

Análise da DBRS mostra que, na última década, o ROE dos bancos nos EUA foi de 10%, enquanto na Europa se situou nos 7%

29 Jan 2026 - 07:15

4 min leitura

América e Europa/Foto:Freepick

América e Europa/Foto:Freepick

A agência de rating Morningstar DBRS divulgou esta semana uma análise sobre a performance da banca de investimento americana em comparação com a europeia. Intitulada “Conseguem os bancos europeus igualar os EUA nos negócios de mercados de capitais?”, a análise confirma aquilo que muitos já sabiam: os grandes bancos americanos são líderes globais nos negócios de mercado de capitais.

“Os bancos americanos continuam a superar de forma significativa os seus homólogos europeus nas áreas de banca de investimento e de vendas e negociação, uma tendência que esperamos que se mantenha em 2026”, afirma a DBRS.

Segundo a agência, os grandes bancos americanos — como Goldman Sachs, JP Morgan e Morgan Stanley, entre outros — mantêm-se líderes globais nos mercados de capitais, graças à maior escala, diversidade, capacidade comprovada de investimento em tecnologia e à habilidade de apoiar o crescimento futuro em geografias atrativas. Ainda assim, a DBRS prevê que o ambiente competitivo se intensifique, considerando a forma como estas atividades têm reforçado e diversificado os resultados, especialmente nos períodos mais recentes.

“Esperamos também que os bancos europeus com forte presença em mercados de capitais continuem a consolidar as suas posições em determinados segmentos, sobretudo na Europa, à medida que avançam com as suas estratégias, beneficiando de posições de capital mais sólidas e de uma maior capacidade de geração de resultados, o que permitirá um maior investimento em tecnologia”, adianta a análise.

Ao longo da última década, os bancos americanos geraram um retorno sobre os capitais próprios (ROE) de aproximadamente 10%, enquanto o ROE do grupo de bancos europeu se situou em cerca de 7%. A DBRS explica que “as receitas mais elevadas provenientes das atividades de banca de investimento e de negociação nas instituições norte-americanas têm sido um dos principais fatores explicativos do diferencial de rentabilidade, juntamente com o ónus associado aos processos de reestruturação e de redução de risco enfrentados por alguns bancos europeus”.

Também na última década, “a maioria dos bancos europeus com forte presença em mercados de capitais passou por processos de reestruturação, enfrentou um ambiente de taxas de juro muito baixas e reduziu deliberadamente a sua exposição a determinados negócios mais arriscados ou menos rentáveis”.

Segundo a DBRS, “as instituições norte-americanas detêm uma quota de mercado global superior a 75% nos segmentos de ações e de rendimento fixo, um aumento face aos cerca de 70% registados em 2019. Parte desta melhoria resultou, porém, de ganhos de quota de mercado por participantes norte-americanos não bancários, beneficiando de um enquadramento regulatório significativamente menos exigente”.

Demonstrando a importância crítica da escala e do investimento em tecnologia, os volumes de negociação triplicaram desde 2019, enquanto os custos por transação diminuíram de forma significativa. Em particular, o JP Morgan indicou que os custos de negociação em taxas de juro caíram 42% e os custos em ações à vista diminuíram 23%.

Nos primeiros nove meses de 2025, a maioria das instituições registou receitas de negociação em ações próximas de máximos históricos, impulsionadas pelo crescimento nos derivados de ações, nas ações à vista e na corretagem prime, sendo esta última um fator diferenciador entre os pares.

Apesar das iniciativas do Banco Central Europeu em favor de uma maior consolidação das instituições financeiras, a DBRS considera que continuam a existir barreiras que tornam este processo difícil, sobretudo para os bancos de maior dimensão.

“Os benefícios são evidentes em termos de custos e receitas nas atividades de banca de retalho e comercial, sendo mais fáceis de alcançar a nível nacional do que transfronteiriço. No entanto, isto não contribui para o objetivo aparente de criar um ‘campeão europeu’ capaz de competir com os maiores bancos norte-americanos, que detêm posições dominantes nas atividades de mercados de capitais”, refere a agência.

Segundo a DBRS, “mesmo com maior consolidação, acreditamos que seria difícil criar um banco com escala suficiente para competir com os grandes bancos dos EUA na originação de rendimento fixo e de ações, bem como nas atividades de vendas e negociação, tornando as fusões transfronteiriças europeias, ao nível da banca de investimento, menos interessantes do ponto de vista empresarial”.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade