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Lagarde volta a apelar ao avanço do euro digital perante o PE, mas também abre caminho à tokenização
Lagarde revela que o projeto Pontes deve colocar no mercado, em 2026, uma solução de "liquidação de transações grossistas baseadas em DLT em moeda do banco central".
10 Fev 2026 - 14:44
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Foto: Christine Lagarde | Parlamento Europeu
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Foto: Christine Lagarde | Parlamento Europeu
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, voltou ao Parlamento Europeu (PE) para apelar ao avanço do euro digital, enquanto prestava contas sobre atividade do supervisor bancário em 2025. Para tal, usou os argumentos que os vários membros do BCE têm vindo a propagar quando questionados sobre este tópico, desde a soberania aos benefícios para comerciantes.
Lagarde recordou que “o euro digital vai dar aos consumidores uma solução que é aceite para qualquer pagamento digital, em toda a Zona Euro”. Paralelamente, “também vai beneficiar os negócios europeus. Vai reduzir as comissões para os comerciantes, nomeadamente para os mais pequenos”.
Falando sobre as vantagens da infraestrutura a ser criada para a implementação do euro digital, a presidente do banco central realçou a privacidade garantida ao consumidor, assegurando que, “por definição, o BCE não vai ter acesso a dados pessoais”. A par disto, sublinha ainda a possibilidade de pagar offline, mantendo a privacidade referida.
Esta tecnologia e a sua infraestrutura vão ser “inteiramente europeias”, o que significa “evitar dependência de prestadores de sistemas de pagamento estrangeiros que são críticos para o funcionamento da nossa economia”, realça Lagarde. A presidente acredita ainda que “vai tornar mais fácil para os prestadores de serviços de pagamentos europeus privados expandirem o alcance das suas soluções”.
Lagarde colocou a bola do lado dos eurodeputados argumentando que, “na qualidade de colegislador, [o PE] tem um papel fundamental a desempenhar na concretização destes benefícios, promovendo progressos decisivos no sentido da adoção do regulamento relativo ao euro digital”. Recorde-se que os eurodeputados devem votar a legislação em meados de 2026.
Apesar do foco no euro digital, Lagarde relembra que, “paralelamente, pretendemos também disponibilizar moeda do banco central tokenizada para apoiar o desenvolvimento de um ecossistema europeu integrado para ativos digitais. Isto garantirá que este ecossistema tenha no seu cerne um ativo europeu sem risco, denominado em euros”.
A presidente do regulador bancário adianta que, dentro da iniciativa da tokenização, tem como primeiro objetivo “a liquidação de transações grossistas baseadas em ‘distributed ledger technology’ em moeda do banco central” e que o projeto Pontes deve colocar no mercado uma solução neste sentido no terceiro trimestre de 2026.
O segundo objetivo, revela Lagarde, é “desbloquear todo o potencial da tokenização. O projeto Appia pretende criar um mercado europeu de ativos digitais que seja integrado desde o início”. O BCE, garante, quer “desenvolver infraestruturas de mercado mais resilientes e integradas, aproveitando as finanças digitais para beneficiar a economia da Zona Euro”.
A presidente do BCE aproveitou ainda para destacar uma outra missão em curso: a da simplificação. Lagarde recorda que a ‘task force’ do banco central sobre esta matéria apresentou recentemente as suas recomendações para simplificar o quadro de regulação, supervisão e reporte europeu, ao mesmo tempo que mantém um setor bancário “forte e resiliente”.
“Estas propostas visam reduzir a complexidade regulamentar desnecessária, mantendo simultaneamente as normas internacionais. Um quadro regulamentar claro, harmonizado e proporcionado é essencial para um sistema financeiro forte que apoie a economia real”, defende. Contudo, reitera que “a resiliência e a competitividade da Europa dependem, em última instância, do quadro de políticas mais amplo”.
Neste sentido, reforça a necessidade de avançar com a união das poupanças e investimento. “Um acordo rápido sobre o pacote de integração e supervisão dos mercados aprofundará os nossos mercados de capitais e permitirá à Europa canalizar de forma mais eficaz as suas consideráveis poupanças para investimentos produtivos”, acredita.
“Estas reformas não são abstratas: são os fundamentos práticos da resiliência e da soberania num mundo em que o poder económico é cada vez mais exercido por meio das finanças, da tecnologia e do comércio”, remata.
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