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Lagarde explica o aumento do custo de vida
Presidente do Banco Central Europeu foi à Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários explicar por que motivo as pessoas sentem que os preços sobem mais depressa do que a inflação registada.
26 Fev 2026 - 11:01
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Christine Lagarde, presidente do BCE, conversa com um comerciante no mercado de Florença (Itália)/BCE
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Christine Lagarde, presidente do BCE, conversa com um comerciante no mercado de Florença (Itália)/BCE
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) foi ouvida nesta quinta-feira na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu sobre o aumento do custo de vida e sobre por que motivo os cidadãos sentem que os preços sobem mais depressa do que indica o registo da inflação oficial.
Christine Lagarde considera que “embora a inflação tenha diminuído, os inquéritos mostram que muitos cidadãos ainda percebem que os preços estão a subir mais rapidamente do que os dados oficiais indicam”.
“Essa discrepância entre a inflação medida e a inflação percebida não é mera curiosidade estatística – trata-se de uma regularidade histórica e global. E tem implicações para as decisões económicas e para a confiança nas instituições – confiança essa que ajuda a ancorar as expectativas de inflação”, refere a responsável.
Lagarde explica: “A perceção da inflação descreve as crenças das pessoas sobre as recentes variações de preços. Embora essa perceção tenda a acompanhar a inflação medida, é geralmente mais elevada. Este é um fenómeno global e não é exclusivo da área do euro”, salientando que “desde o lançamento do Inquérito às Expectativas dos Consumidores do BCE, em abril de 2020, a inflação percebida na área do euro tem, em média, excedido a inflação medida em 1,2 pontos percentuais. A perceção da inflação aumentou em 2021 e 2022, em linha com a inflação medida, e desde então diminuiu substancialmente”.
A presidente do BCE refere que a perceção dos cidadãos sobre a evolução dos preços é importante por três motivos: “Em primeiro lugar, as perceções influenciam diretamente o comportamento económico. Quando as pessoas acreditam que os preços estão a subir mais rapidamente, podem ajustar as suas decisões de consumo e poupança, bem como as suas reivindicações salariais”.
Em segundo lugar, “a perceção da inflação atual influencia as expectativas quanto à inflação futura” e, em terceiro, “as perceções da inflação podem influenciar a confiança pública nas instituições, incluindo o BCE. A confiança é valiosa por si só, mas também ajuda a ancorar as expectativas de inflação”.
As explicações da presidente do BCE radicam no facto de não existir uma única perceção da inflação. “As respostas aos inquéritos são moldadas pela experiência pessoal. Embora as perguntas normalmente se refiram a mudanças no nível geral de preços no consumidor, os indivíduos interpretam-nas à luz dos seus próprios padrões e experiências de consumo”.
“O que as pessoas compram e com que frequência compram determinados bens ou serviços é importante. As variações de preços em itens adquiridos com frequência tendem a ter um impacto maior nas perceções do que as oscilações mais amplas no cabaz de consumo geral. A dinâmica dos preços dos alimentos é particularmente relevante nesse aspeto”, afirma a responsável.
Para Lagarde, “a psicologia acrescenta outra camada. As pessoas tendem a concentrar-se mais nos aumentos de preços do que em reduções de igual magnitude, o que pode levar a uma perceção distorcida da inflação”.
Por último, destaca a falta de literacia financeira. “Saúdo a iniciativa sobre literacia financeira na agenda da União Europeia para a poupança e o investimento (protagonizada por Maria Luís Albuquerque). Melhorar a compreensão dos conceitos económicos e financeiros não só aproximará a inflação percebida da inflação registada, como também permitirá aos cidadãos fazer escolhas financeiras informadas, reforçando a sua resiliência face a futuros choques económicos”, conclui a responsável.
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