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Lagarde defende que Europa não pode ficar (de novo) para trás na revolução digital

A presidente do BCE acredita que a Europa se deve focar na disseminação e utilização de modelos de IA já existentes e não na construção de modelos melhores.

25 Nov 2025 - 07:21

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Foto: Christine Lagarde | Parlamento Europeu

Foto: Christine Lagarde | Parlamento Europeu

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu ontem, que a Europa não se pode dar ao luxo de ficar para trás na adoção da Inteligência Artificial (IA), tal como aconteceu com a última revolução digital. A líder do supervisor europeu lamenta que a Europa não seja a primeira a dar passos na área, mas reitera que pode “emergir enquanto um segundo forte impulsionador”.

Segundo Lagarde, o objetivo da Europa não deve ser construir modelos de IA superiores, mas sim disseminar a tecnologia por todo o lado. “Ao concentrar-se na rápida adoção e utilização inteligente das tecnologias de IA existentes em todos os nossos diversos setores, a Europa pode transformar um início tardio numa vantagem competitiva”, acredita.

A presidente do BCE sublinha que as empresas europeias já estão a adotar a IA generativa numa escala semelhante à americana e o que o banco central tem ouvido da parte das grandes empresas europeias é que estas estão a investir “fortemente” em bases de dados, soluções de ‘cloud’ e IA.

Lagarde destaca ainda a diversificação da economia europeia, contra uma concentração da dos EUA, onde as maiores dez empresas em bolsa são responsáveis por 40% do mercado em apenas quatro setores. Na União Europeia, realça, as dez maiores não chegam a 18% do mercado no dobro das áreas.

O cruzamento setorial de dados é algo apontado como essencial para transformar os benefícios em vantagens competitivas, argumenta a presidente do BCE. “Graças aos espaços de dados em escala industrial, as empresas podem partilhar dados operacionais e criar conjuntos de treino para modelos de IA que nenhuma empresa conseguiria reunir sozinha”, ilustra.

No entanto, alerta para as dependências estratégicas, cuja origem está na utilização de tecnologia que é detida e controlada por entidades não europeias. “Devemos diversificar partes críticas da cadeia de abastecimento de IA e evitar pontos únicos de falha. Nas camadas fundamentais, como a capacidade computacional baseada em chips e centros de dados, devemos manter uma capacidade mínima”, reitera.

Mais ainda, reforça a necessidade do mercado único como meio para conseguir mais interoperabilidade e normas abertas. Lagarde acredita que é necessário “ultrapassar um conjunto de velhas barreiras familiares” que têm impedido a Europa de ser o primeiro impulsionador no passado.

“Se permitirmos que os nossos custos energéticos permaneçam elevados, se as regulamentações continuarem fragmentadas e se os mercados de capitais não conseguirem integrar e canalizar financiamentos de longo prazo e de risco em grande escala, a IA vai difundir-se mais lentamente”, atenta. A líder do regulador bancário vai um passo mais longe e adverte que as consequências podem ir além da derrota na corrida dos modelos de IA. “Podemos possivelmente enfrentar uma perda maior de competitividade para muitos dos nossos setores e indústrias”, acrescenta.

Impacto na produtividade vai ser notável mais cedo

Christine Lagarde aponta duas razões pelas quais acredita que a IA vai ser mais rápida a demonstrar o impacto na produtividade: inovação e difusão.

“Ao acelerar a produção de ideias, a IA pode elevar não apenas o nível de produtividade, mas também a própria taxa de crescimento. Algumas estimativas sugerem que esse ‘research & development’ aprimorado pela IA pode duplicar as taxas recentes de crescimento da produtividade nos EUA para entre 1,6% e 2,4% ao ano — mais rápido do que as ondas tecnológicas anteriores”, sublinha.

A maior difusão é possível pelo facto de as infraestruturas necessárias para tal já existirem, nota Lagarde, apesar de reconhecer que há uma necessidade de investimento “substancial” em centros de dados e energia. Ainda assim, “ao contrário das tecnologias anteriores, como a eletricidade ou os computadores, que exigiam novas redes físicas ou competências de codificação, a IA funciona em dispositivos de Internet existentes e comunica com os utilizadores através da linguagem humana”, argumenta.

Por outro lado, as infraestruturas estão a avançar rapidamente, destaca, e “muitos usos para a IA já mostram ganhos em ‘hardware’ já existente”. “Portanto, embora a falta de capacidade computacional retarde o ritmo de desenvolvimento dos modelos, ela não impede necessariamente a sua difusão em toda a economia”, considera.

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