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IGCP coloca 1.250 milhões de euros à taxa média de 1,990%
Analistas do Banco Carregosa sublinham resiliência da dívida soberana portuguesa apesar de um ligeiro aumento dos juros
07 Jan 2026 - 14:12
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O IGCP — Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública — colocou nesta quarta-feira 1.250 milhões de euros, o montante máximo do intervalo indicativo, em Bilhetes do Tesouro (BT) a 10 meses, à taxa de juro média de 1,990%. Segundo a página do IGCP na agência Bloomberg, a procura atingiu 2.107 milhões de euros, correspondendo a 1,69 vezes o montante colocado, e o preço médio foi de 98,289%. Os BT leiloados esta quarta-feira vencem em 20 de novembro de 2026.
Segundo o diretor de Investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, “o custo que Portugal teve neste leilão está em linha com as taxas do mercado secundário e reafirma a resiliência da dívida soberana portuguesa num contexto de transição macroeconómica”.
Recordando que, em comparação com o último leilão para o mesmo prazo, realizado em junho, a taxa subiu de 1,94% para 1,99%, Filipe Silva afirma que “a ligeira subida reflete um ajuste técnico e demonstra que os investidores interiorizaram a postura cautelosa do Banco Central Europeu, que em dezembro optou por manter as taxas de juro, validando a estratégia de dependência dos dados que tem vindo a adotar e que tem contribuído para a estabilização das yields de curto prazo na Europa”.
Os Bilhetes do Tesouro são títulos de dívida pública de curto prazo, com maturidade até um ano, permitindo ao Estado obter financiamento através de um modelo de gestão de tesouraria mais ágil.
No seu site, o IGCP explica que a colocação de Bilhetes do Tesouro no mercado primário de dívida “é assegurada por um grupo de bancos reconhecido pelo IGCP, designado por Especialistas em Bilhetes do Tesouro (EBT), e realizada principalmente através de leilões do Tesouro”, que são comunicados ao mercado.
Para este ano, as necessidades líquidas de financiamento do Estado rondam os 13.000 milhões de euros, de acordo com o Programa de Financiamento da República Portuguesa, divulgado a 15 de dezembro pelo IGCP.
Segundo o documento, “a estratégia de financiamento para 2026 centrar-se-á na emissão de títulos de dívida pública em euros nos mercados financeiros, com a realização regular de emissões de Obrigações do Tesouro (OT)”, prevendo-se a obtenção de 24.000 milhões de euros através da emissão bruta de obrigações.
Relativamente aos Bilhetes do Tesouro, o financiamento líquido resultante da emissão de BT deverá ter um impacto de 5.100 milhões de euros.
Na estratégia divulgada, o IGCP refere que irá realizar, como até aqui, leilões mensais de Bilhetes do Tesouro “na terceira quarta-feira de cada mês e, se se justificar, também na primeira quarta-feira do mês”, como aconteceu neste caso.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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