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Fernando Ulrich: “Nunca senti que o BPI tivesse um problema de reputação”
Começaram as audições na Comissão Parlamentar de Orçamento e Administração Pública sobre o alegado cartel da banca. Depois de Sérgio Raposo Frade, do Crédito Agrícola, foi a vez de Fernando Ulrich, do banco BPI
25 Fev 2026 - 19:57
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Fernando Ulrich, presidente não executivo do BPI
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Fernando Ulrich, presidente não executivo do BPI
Começaram as audições dos bancos na Comissão Parlamentar de Orçamento e Administração Pública (COFA) a propósito da multa aplicada pela Autoridade da Concorrência, no valor de 225 milhões de euros, que foi posteriormente anulada pelo Tribunal Constitucional. Já foram ouvidos os responsáveis do Crédito Agrícola, Banco Montepio, Unión de Crédito Imobiliários e Establecimiento Financiero de Crédito. Ontem foi a vez de Fernando Ulrich, chairman do banco BPI.
Fernando Ulrich revelou na COFA uma série de números sobre crédito à habitação, com o objetivo de demonstrar que o BPI nunca esteve em conluio com outros bancos na negociação de ‘spreads’ destes empréstimos.
“De 2002 a 2013 (período analisado pela Autoridade da Concorrência), o BPI concedeu 14,7 mil milhões de euros em crédito à habitação. Desse montante, 13,8 mil milhões foram concedidos entre 2002 e 2010, com um spread médio de 0,91%, algo que nunca mais foi conseguido em Portugal”, afirmou o responsável, acrescentando que “entre 2007 e 2008, o BPI concedeu 3,8 mil milhões em crédito à habitação, a maior parte a clientes vindos de outros bancos que consideraram as nossas condições melhores… se isto não é concorrência, não sei o que será”.
Por fim, Fernando Ulrich referiu que, entre 2011 e 2013, o BPI concedeu crédito no valor de 960 milhões de euros, com um spread médio de 2,98%.
Quanto ao relacionamento do banco com os clientes, Ulrich afirmou: “O BPI tem 45 anos. Nunca senti que o BPI tivesse um problema de reputação; bem pelo contrário, é o seu ativo mais forte. E foi por isso que ultrapassámos os tempos difíceis da crise financeira. Não nos faltou a confiança dos nossos clientes”.
Para o responsável, “é impossível demonstrar que o BPI tenha prejudicado os seus clientes. Os clientes sempre foram bem tratados”.
A iniciativa de ouvir os bancos foi da autoria do Chega, e o deputado Francisco Gomes foi particularmente duro, considerando “uma vergonha” a anulação da multa aplicada pela Autoridade da Concorrência.
Todas as instituições financeiras ouvidas até agora negaram qualquer tipo de violação da lei. Na terça-feira, o presidente do Crédito Agrícola, Sérgio Raposo Frade, afirmou que “o Crédito Agrícola não violou a lei e não prejudicou nenhum dos seus clientes nem o País”.
O responsável alertou para a natureza jurídica diferente da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, que agregava, na altura da aplicação da multa, 80 caixas independentes e com “autonomia comercial própria”.
“A troca de informações sobre ‘spreads’ cobrados pela Caixa Agrícola foi sempre feita quando essa informação já era pública”, acrescentou, sublinhando que “a CCA não tinha como controlar a estratégia de mercado de 80 caixas de crédito”.
Em relação à decisão do Tribunal Europeu, que o deputado do Chega, Francisco Gomes, apelidou de “condenatória”, Sérgio Raposo Frade esclareceu tratar-se de uma “decisão meramente interpretativa, não tendo condenado nenhum banco”.
O presidente do Crédito Agrícola reiterou que a sua instituição financeira não participou em nenhuma troca de informações sobre condições de concessão de crédito, quer a particulares, quer a empresas.
Já o presidente do Conselho de Administração do Banco Montepio, Manuel Ferreira Teixeira, afirmou que o banco colaborou totalmente com a Autoridade da Concorrência, que reduziu a multa aplicada ao Montepio em 50%.
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