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Europol desmantela fraude com criptomoedas que movimentou 700 milhões de euros
Investigação a uma única plataforma revelou uma rede complexa e um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia vários países europeus. Intervenção decorreu em duas fases, com dezenas de buscas e apreensões.
06 Dez 2025 - 10:10
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Agentes da Europol durante a ação de apreensão de bens resultantes da fraude com criptomoedas/fonte: Europol
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Agentes da Europol durante a ação de apreensão de bens resultantes da fraude com criptomoedas/fonte: Europol
A Europol desmantelou no mês passado uma extensa rede de fraude com criptomoedas e lavagem de dinheiro que movimentou mais de 700 milhões de euros em diversos países europeus. Segundo um comunicado da entidade, a operação representou o culminar de anos de investigação, resultando na interrupção efetiva de uma atividade criminosa que se estendia pela Europa e por outros continentes.
A rede operava várias plataformas falsas de investimento em criptomoedas, atraindo milhares de vítimas com anúncios sofisticados que prometiam altos retornos. As vítimas eram depois contactadas repetidamente por centros de atendimento criminosos, onde os burlões usavam técnicas de engenharia social para pressioná-las a realizar novos pagamentos, apresentando-lhes retornos inflacionados através de plataformas de negociação falsas.
Após a transferência das criptomoedas, os fundos eram desviados e lavados através de várias blockchains e corretoras. À medida que os investigadores desvendavam as camadas da operação, tornou-se evidente que a rede tinha crescido muito além de um único esquema, envolvendo múltiplas plataformas fraudulentas e uma infraestrutura financeira sofisticada que abrangia vários continentes.
A primeira fase da operação ocorreu a 27 de outubro de 2025, com ações conjuntas realizadas por forças policiais de Chipre, Alemanha e Espanha, a pedido das autoridades francesas e belgas.
Estas ações iniciais resultaram na detenção de nove suspeitos de lavagem de dinheiro proveniente de plataformas fraudulentas de criptomoedas.
Foram apreendidos milhões de euros em bens, incluindo: 800.000 euros em contas bancárias, 415.000 euros em criptomoedas, 300.000 euros em numerário, dispositivos digitais e relógios de luxo.
A operação foi conduzida em estreita colaboração com autoridades da França, Bélgica, Alemanha, Espanha, Malta, Chipre e outros países. A Europol e a Eurojust prestaram apoio operacional e jurídico a esta primeira fase.
A segunda fase decorreu nos dias 25 e 26 de novembro de 2025 e centrou-se na infraestrutura de marketing que sustentava estes esquemas online. Foram realizadas ações coordenadas contra empresas e suspeitos responsáveis por campanhas publicitárias fraudulentas em plataformas de redes sociais.
Durante estes dois dias, equipas policiais na Bélgica, Bulgária, Alemanha e Israel efetuaram centenas de buscas e outras medidas operacionais, com apoio da Europol. Os alvos incluíam empresas que anteriormente ofereciam serviços de marketing, e a infraestrutura foi desmantelada.
A Europol desempenhou um papel central na coordenação transfronteiriça da operação, fornecendo apoio operacional e analítico.
Entre as principais contribuições da Europol contam-se: A organização de reuniões operacionais envolvendo todas as agências de aplicação da lei participantes, para coordenar a estratégia e partilha de inteligência; O apoio logístico durante os dias de ação, auxiliando nos preparativos e na disponibilização de recursos.
Existiu ainda a colaboração de especialistas e analistas dedicados à verificação de dados, desenvolvimento de informação e partilha de conclusões-chave entre os parceiros e a intervenção de um especialista em criptomoedas, para apoiar a identificação e apreensão de ativos digitais ilícitos.
Existiu o recurso a inteligência operacional e ferramentas de criptoanálise, que forneceram informações essenciais sobre a movimentação dos fundos ilícitos e a estrutura da rede de fraude.

Imagem do Criptomix encerrado
Entretanto, também no mês passado, a Europol apoiou uma semana de operações conduzida pelas autoridades policiais da Suíça e da Alemanha, realizada em Zurique. A operação teve como foco o desmantelamento do serviço ilegal de mistura de criptomoedas “Cryptomixer”, suspeito de facilitar crimes cibernéticos e branqueamento de capitais.
Foram apreendidos três servidores na Suíça, juntamente com o domínio cryptomixer.io. A operação resultou na confiscação de mais de 12 terabytes de dados e mais de 25 milhões de euros em Bitcoin.
O Cryptomixer era um serviço híbrido de mistura de criptomoedas, acessível tanto pela Internet aberta como pela dark web. Facilitava a ocultação de fundos criminosos para grupos de ransomware, fóruns da economia subterrânea e mercados da dark web.
O software do serviço impedia o rastreamento dos fundos na blockchain, tornando-o a plataforma preferida de cibercriminosos que procuravam lavar dinheiro proveniente de várias atividades ilegais, como tráfico de droga, tráfico de armas, ataques de ransomware e fraudes com cartões de pagamento. Desde a sua criação, em 2016, mais de 1,3 mil milhões de euros em Bitcoin foram misturados através deste serviço.
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