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Euro digital: para onde caminhamos

Fernando Carvalho, Administrador da UNICRE

10 Jan 2026 - 10:02

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Fernando Carvalho, Administrador da UNICRE

Fernando Carvalho, Administrador da UNICRE

A Europa encontra-se num momento decisivo na evolução do seu ecossistema de pagamentos. A crescente digitalização da economia, aliada à fragmentação das soluções existentes e à dependência de infraestruturas não europeias, exige uma resposta estratégica que garanta eficiência, resiliência e autonomia. É neste contexto que o euro digital se afirma como uma proposta transformadora, capaz de redefinir o papel da moeda pública na era digital.

O euro digital, concebido pelo Banco Central Europeu como uma forma digital de moeda de banco central, pretende ser mais do que uma alternativa ao numerário. Trata-se de uma ferramenta que pode reforçar a soberania monetária europeia, promover a inclusão financeira e garantir que os pagamentos digitais se realizam em redes de liquidação e infraestruturas europeias, com regras comunitárias e ao serviço dos cidadãos e empresas da UE.

A Comissão Europeia reconhece que os pagamentos digitais são essenciais para o funcionamento do mercado interno e para o crescimento económico. No relatório ‘Pagamentos Digitais da União Europeia’, o Tribunal de Contas Europeu destaca que o valor dos pagamentos digitais na venda a retalho duplicou entre 2017 e 2023, ultrapassando 1 bilião de euros por ano. No entanto, alerta para lacunas na monitorização e na padronização, que dificultam a avaliação do impacto das políticas públicas.

Ora, o euro digital, ao ser concebido com base em normas harmonizadas e interoperáveis, poderá colmatar essas falhas e servir de catalisador para uma nova geração de serviços financeiros.

A eficiência do sistema de pagamentos europeu pode estar a ser comprometida por uma multiplicidade de esquemas de pagamentos nacionais e pela predominância de redes internacionais. Atualmente, dois terços das transações com cartões na Zona Euro são processadas por esquemas internacionais, o que levanta preocupações sobre a exposição da Europa a decisões tomadas fora do seu espaço económico. Esta dependência traduz-se em custos elevados para comerciantes, limitações na interoperabilidade e riscos crescentes em momentos de instabilidade geopolítica.

O euro digital poderá mitigar estas vulnerabilidades ao oferecer uma resposta pan-europeia, acessível, segura e de baixo custo. A sua integração com infraestruturas como o TIPS e esquemas como o SEPA permitirá pagamentos instantâneos e interoperáveis, tanto online como offline, com menor dependência de intermediários.

O euro digital abre, também, caminho para uma nova geração de serviços financeiros. A sua implementação poderá permitir o desenvolvimento de soluções inovadoras, como pagamentos condicionais, carteiras digitais interoperáveis e sistemas de fidelização integrados. Para os prestadores de serviços de pagamento, representa uma oportunidade para expandir a sua oferta, reforçar a competitividade e contribuir para um ecossistema mais centrado no utilizador.

A Europa precisa de uma infraestrutura de pagamentos que esteja à altura dos desafios do século XXI. O euro digital não resolve, por si só, todos os desafios estruturais, mas é um passo estratégico na direção certa. A sua adoção exigirá um esforço coordenado entre autoridades públicas, instituições financeiras e operadores tecnológicos, com uma visão clara dos objetivos a alcançar: eficiência, resiliência e autonomia.

Caminhamos para um futuro em que a moeda digital oficial poderá coexistir com soluções privadas, reforçando a confiança dos cidadãos e a estabilidade do sistema. O euro digital é, acima de tudo, uma oportunidade para a Europa afirmar a sua liderança na transformação digital dos pagamentos, garantindo que essa evolução se faz com base em valores europeus, infraestruturas europeias e ao serviço da economia europeia.

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