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Empresário angolano diz que financiamento de 1,5 mil milhões do BESA foi para comprar terrenos

Eugénio Neto foi ouvido no julgamento do processo Banco Espírito Santo Angola que decorre em Lisboa

18 Fev 2026 - 16:21

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Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

Um empresário angolano a cujas sociedades o Banco Espírito Santo Angola (BESA) terá emprestado 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) disse nesta quarta-feira, em tribunal, que os financiamentos visaram a compra de terrenos em Angola, simultaneamente dados como garantia.

“O financiamento era para comprar o ativo. E talvez vedar o ativo e fazer alguma coisa relacionada com isso. O investimento )no desenvolvimento do terreno) teria de ser feito por mim”, assegurou Eugénio Neto, de 67 anos, ouvido como testemunha no julgamento do processo BESA, em Lisboa.

Segundo o gestor de empresas, o seu objetivo seria angariar terceiros para fazerem esse investimento, o que, reconheceu, nunca aconteceu.

“Os investidores chegavam, mas havia uma morosidade muito grande na legalização desses ativos nos ministérios”, lamentou Eugénio Neto, frisando que, ultrapassado o período de um, dois ou três anos para o investimento, o BESA lhe começava a exigir o pagamento dos juros devidos pelo financiamento.

Embora os negócios remontem a 2009, 2010 e 2011, a dívida que se foi acumulando só terá sido resolvida em 2017 ou 2018, com a celebração entre o empresário e o Banco Económico, sucessor do BESA, de um acordo de dação em pagamento com entrega de ativos, precisou a testemunha.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a maioria dos 1,3 mil milhões de euros emprestado a sociedades detidas por Eugénio Neto não tiveram finalidades produtivas.

Os ex-presidentes do BES, Ricardo Salgado, e do BESA, Álvaro Sobrinho, são dois dos cinco arguidos que estão a ser julgados no processo, que incide, sobretudo, sobre o alegado desvio de fundos entre 2007 e 2012 de financiamentos do BES ao BESA em linhas de crédito do Mercado Monetário Internacional e em descoberto bancário.

Em geral, os arguidos respondem por abuso de confiança, branqueamento e burla e negam a prática dos crimes.

O julgamento decorre desde 5 de maio de 2025, no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

O BES faliu no verão de 2014 e o BESA foi liquidado em outubro seguinte.

Agência Lusa

Editado por JornalPT50

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