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É cada vez mais barato apostar em produtos de investimento
Relatório da ESMA mostra maiores rentabilidades com custos cada vez mais baixos
03 Mar 2026 - 12:27
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O Relatório de Mercado de 2025 da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) sobre os Custos e o Desempenho dos Produtos de Investimento de Retalho da União Europeia (UE), publicado nesta terça-feira, apresenta uma visão geral dos principais desenvolvimentos até ao final de 2024, ano caracterizado por uma melhoria dos retornos face a 2023.
Segundo a ESMA, persistem “problemas significativos relacionados com os dados. No caso dos organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (UCITS), os custos de entrada e de saída reportados nos Documentos de Informação Fundamental (KID) continuam sujeitos a limitações. Perante estas restrições, nesta edição do relatório é dada maior ênfase aos custos correntes. No caso dos fundos de investimento alternativo de retalho (AIF), a informação sobre custos, embora ainda não seja exaustiva, melhorou substancialmente este ano, com 30 % da amostra de AIF de retalho coberta (em comparação com 9 % na edição anterior). Para os produtos estruturados de retalho (SRP), os custos estão disponíveis apenas para um subconjunto de produtos. Além disso, a informação sobre custos não inclui eventuais custos de distribuição”.
No caso dos ativos de UCITS, o montante ascende a cerca de 11,6 biliões de euros, dos quais se estima que os investidores de retalho detinham aproximadamente 7,9 biliões em 2024, representando uma cobertura global de 92 % do mercado de UCITS da UE.
Os custos correntes na UE continuaram a diminuir em 2024, especialmente nos fundos obrigacionistas. Para um horizonte de investimento de um ano, entre 2020 e 2024, os custos correntes dos fundos acionistas de retalho (excluindo ETF) diminuíram 8 %, enquanto os custos correntes dos fundos obrigacionistas de retalho (excluindo ETF) caíram quase 15 %.
Esta redução é parcialmente explicada pelo lançamento de novos fundos de investimento que, em média, tendem a apresentar custos correntes mais baixos. A diminuição dos custos nos fundos já existentes — isto é, classes de unidades de participação já oferecidas nos cinco anos anteriores — é claramente inferior: no horizonte de um ano, a redução foi de 3 % para os fundos acionistas e de 9 % para os fundos obrigacionistas.
“Os custos correntes dos ETF diminuíram 13 % e 17 %, respetivamente, para ações e obrigações. Os ETF ativos apresentam custos ligeiramente mais elevados do que os ETF passivos, mas inferiores aos dos fundos ativos tradicionais”, refere a ESMA.
O relatório indica ainda que “os retornos brutos melhoraram em 2024 e os retornos líquidos reais foram positivos, ao contrário de 2023. Um investimento hipotético de cinco anos, no montante de 10.000 euros, entre 2020 e 2024, com base numa carteira estilizada de UCITS, resultaria num valor aproximado de 12.200 euros líquidos após custos correntes, mas ligeiramente abaixo de 10.000 euros ao considerar o efeito da inflação. Os fundos acionistas ativos tiveram, em 2024, um desempenho inferior face aos fundos passivos não-ETF e aos ETF”.
Tal como em 2023, os custos correntes dos fundos ambientais, sociais e de governação (ESG) são mais baixos em comparação com os seus equivalentes não ESG. No entanto, os fundos ESG apresentaram um desempenho inferior ao dos seus equivalentes não ESG em 2024.
No caso dos fundos de investimento alternativo (AIF), estes atingiram quase 8 biliões de euros em ativos em 2024, dos quais pouco mais de 700 mil milhões eram estimados como detidos por investidores de retalho (AIF de retalho).
A participação dos investidores de retalho diminuiu pelo segundo ano consecutivo, situando-se em 9 % em 2024, face a quase 14 % em 2022. Cerca de um quarto do total do investimento de retalho em AIF está concentrado em fundos que se focam principalmente em classes de ativos tradicionais, como ações e obrigações.
Os retornos anualizados dos AIF oferecidos a investidores de retalho melhoraram significativamente de 2023 para 2024 no caso dos fundos de fundos, enquanto os restantes AIF e o mercado em geral apresentaram retornos semelhantes nos dois anos.
Os fundos imobiliários registaram um ligeiro declínio no desempenho bruto e líquido. Um investimento hipotético de cinco anos, no montante de 10.000 euros, entre 2020 e 2024, com base numa carteira estilizada de AIF, resultaria em cerca de 11.700 euros líquidos após comissões, ou 9.500 euros considerando o efeito da inflação.
A criação de novos Fundos Europeus de Investimento de Longo Prazo (ELTIF) aumentou recentemente de forma acentuada, sendo que 62 % foram lançados em 2024 ou 2025. Os ELTIF classificados como private equity apresentaram os retornos mais elevados em 2024 (10 %).
Já os produtos estruturados de retalho (SRP) registaram um montante em circulação de 392 mil milhões de euros em 2024 (+8 % face a 2023), continuando a representar um mercado significativamente menor do que o dos UCITS e dos AIF de retalho. Os produtos indexados a taxas de juro continuaram a crescer, com a sua quota de mercado a atingir 27 %, acima de apenas 1 % em 2021.
É apresentada uma análise a nível da UE dos cenários de desempenho e dos custos, com base em dados comerciais. Os custos — maioritariamente cobrados sob a forma de comissões de subscrição — mantiveram-se globalmente estáveis em 2024 para a maioria dos maiores emitentes, embora tenham variado substancialmente em função do tipo de estrutura de remuneração (payoff) e do país.
Os SRP que atingiram o vencimento em 2024 apresentaram retornos brutos consistentemente positivos, embora estes valores não considerem a incidência dos custos suportados pelos investidores.
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