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DBRS vê bancos tradicionais a resistir ao crescimento dos bancos digitais
Instituições financeiras clássicas estão a modernizar a sua oferta para reter e conquistar consumidores mais jovens, evitando uma disrupção financeira a médio prazo
16 Set 2025 - 10:49
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Uma análise da Morningstar DBRS divulgada nesta terça-feira mostra que os chamados bancos digitais, apesar do seu crescimento exponencial nos últimos cinco anos, estão a encontrar forte resistência por parte da chamada “banca clássica”, que tem conseguido modernizar a sua oferta e a forma como se relaciona com os clientes mais jovens.
De acordo com as conclusões daquela agência de rating, uma disrupção no setor financeiro é pouco provável: “a maioria dos principais bancos tradicionais na Europa está ativamente a modernizar a sua oferta para reter ou atrair consumidores mais jovens e tecnologicamente mais ágeis. Muitos bancos tradicionais estão também a entrar no espaço fintech, reforçando as suas plataformas de banca online — em alguns casos através de parcerias estratégicas ou da aquisição de players fintech já existentes — o que, na prática, esbate a linha que separa os bancos desafiantes dos bancos incumbentes”.
“Consideramos improvável que os bancos digitais venham a revolucionar o setor bancário europeu a curto e médio prazo, dado que a maioria dos principais bancos tradicionais está a modernizar ativamente as suas ofertas para reter ou atrair consumidores mais jovens e com literacia tecnológica, o que acaba por tornar os limites mais ténues”, afirmou Borja Barragán, Vice-Presidente Assistente da European Financial Institution Ratings. “Neste momento, a grande maioria dos clientes – especialmente nas faixas de rendimento sénior e elevado – tende a recorrer a instituições tradicionais para as suas principais atividades bancárias, enquanto pode recorrer a bancos concorrentes para contas secundárias”, acrescentou a responsável, citada pela DBRS.
O estudo aponta como grande vantagem dos bancos digitais “a capacidade de integrar rapidamente tecnologias de ponta, como a inteligência artificial e o machine learning, para aumentar a eficiência operacional e melhorar a experiência do cliente. A sua agilidade e apetência pela inovação colocaram-nos na linha da frente da transformação digital”. No entanto, a DBRS identifica também um efeito contrário: “este dinamismo, aliado à experiência regulatória limitada, pode expô-los a riscos acrescidos em matéria legal e de conformidade, como ficou demonstrado pelo número significativo de coimas regulatórias aplicadas nos últimos anos”.
A DBRS centrou-se na análise dos principais bancos digitais na Europa, observando várias diferenças nos seus modelos de negócio. “Por exemplo, alguns neobancos, como a Revolut Group Holdings Ltd (Revolut), o Starling Bank (Starling), o Monzo Bank Limited (Monzo), o N26 Bank SE (N26) e o bunq B.V. (bunq), estão amplamente focados na banca de retalho. Outros orientam-se mais para o financiamento de pequenas e médias empresas (PME), como o OakNorth Bank; para o crédito ao consumo de curto prazo, como a Klarna Group plc (Klarna); para os serviços de corretagem e negociação, como o Trade Republic Bank GmbH (Trade Republic); ou apenas para pagamentos e transferências, sem uma licença bancária completa, como a Wise Payments Limited (Wise)”.
Segundo a análise da DBRS, “nos últimos cinco anos, os bancos digitais europeus registaram um crescimento significativo, evidenciado por uma expansão média de cinco vezes nos seus balanços, considerando a nossa amostra. Embora este crescimento tenha sido impulsionado por contínuas entradas de capital de investidores, importa referir que a maioria dos principais bancos digitais no continente conseguiu atrair novos clientes através de uma remuneração mais elevada dos depósitos, em comparação com os bancos tradicionais, beneficiando particularmente do período de taxas de juro mais altas”.
“Além disso, os bancos digitais ganharam vantagem adicional ao disponibilizarem precocemente o acesso ao comércio de criptomoedas ao público em geral, bem como pela sua capacidade de oferecer produtos de investimento com comissões mais baixas do que os bancos incumbentes. Como resultado, registaram uma expansão expressiva da sua base de clientes, tendo apenas em 2024 observado um aumento médio homólogo (year-over-year, YoY) de cerca de 20% na nossa amostra.”
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