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DBRS espera desempenho positivo da banca italiana no resto de 2026

A banca italiana mantém uma margem financeira resiliente, apesar da queda das taxas de juro. A DBRS destaca ainda a diversificação de receitas dos bancos.

11 Ago 2026 - 17:50

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Foto: Unsplash

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A banca italiana caminha para mais um ano de resultados sólidos, segundo a previsão da Morningstar DBRS. A agência de ‘rating’ analisou os resultados dos cinco maiores bancos do país – Intesa Sanpaolo, UniCredit, Banco BPM, BPER e Monte dei Paschi di Siena (MPS) – na primeira metade do ano, que se mantêm em crescimento ao mesmo tempo que alguns bancos integram as suas aquisições do ano passado.

Os dados considerados pela DBRS já consideram a aquisição da Anima Holding pelo BPM, a do BP Sondrio pelo BPER e a do Mediobanca pelo MPS.

O lucro das instituições no segundo trimestre ascendeu a 7,6 mil milhões, semelhante ao dos três meses anteriores e também ao do trimestre homólogo. Já o resultado líquido dos primeiros seis meses do ano, que totalizou 15,1 mil milhões, cresceu 6% face ao mesmo período de 2025 – e 14% se se excluírem impactos não recorrentes.

“Temos uma perspetiva globalmente positiva em relação aos resultados para o resto de 2026, refletindo um sólido dinamismo comercial, uma margem financeira resiliente e uma forte geração de comissões”, destaca a DBRS. A agência elogia a capacidade da banca de diversificar as receitas – que aumentaram 13% entre janeiro e junho – combatendo a suposta compressão das margens financeiras.

Compressão essa que não se verificou. Pelo contrário, a margem financeira destas instituições subiu 8% no primeiro semestre. “A margem financeira mostrou-se mais resiliente do que se esperava”, algo que se deve manter na segunda metade do ano.

Já a receita líquida de comissões teve um incremento de 12% em termos homólogos.

O peso das receitas relacionadas com juros e o das restantes encontra-se mais equilibrado. A margem financeira representa 53% das receitas, enquanto os rendimentos não relacionados com comissões é responsável pelos restantes 47%, acima dos 45% registados um ano antes.

Do lado das despesas, estas aumentaram 7% no primeiro semestre de 2026, “refletindo maioritariamente custos relacionados com aquisições e o investimento contínuo em tecnologia e digitalização”. Apesar desta subida, o rácio de eficiência médio caiu de 42,3% para 39,5%. A DBRS espera que o investimento em IA, automação e digitalização reforce os ganhos de eficiência no futuro.

Mais provisões e custo de risco a crescer

As provisões registadas pelos cinco bancos analisados aumentaram 22% face ao ano anterior. A DBRS explica que esta alteração se deve às alterações do perímetro dos negócios, devido às aquisições, e também ao ambiente geopolítico incerto que se vive.

Olhando para o custo do risco, a agência sublinha que este se mantém em níveis historicamente baixos, fixando-se em 27 pontos base no primeiro semestre, menos 5 pontos base do que em 2025. Contudo, a DBRS prevê que este valor suba ligeiramente na segunda metade do ano, “refletindo um ambiente macroeconómico mais desafiante e uma incerteza persistente sobre as perspetivas de crescimento”.

Ainda assim, antecipam que a deterioração seja “limitada”. “A elevada qualidade dos ativos, os rácios de cobertura sólidos e as reservas substanciais para provisões deverão continuar a apoiar o desempenho do crédito e a conter os riscos de deterioração”, defende a DBRS.

“Embora os indicadores atuais de qualidade dos ativos se mantenham sólidos, prevemos uma certa normalização gradual ao longo do resto de 2026”, estima, alertando que “taxas de juro mais elevadas, um crescimento económico mais lento e uma elevada incerteza geopolítica poderão aumentar a pressão sobre determinados segmentos de mutuários e conduzir a uma ligeira deterioração do desempenho de crédito”.

“No entanto, os sólidos fundamentos de crédito iniciais, os baixos níveis de créditos não produtivos e as sólidas reservas de cobertura deverão mitigar os riscos de queda, sustentando os atuais perfis de crédito”, assegura.

Já a capitalização das instituições continua “robusta”, “apoiada por uma geração de resultados sólida e por um crescimento disciplinado do balanço”. O rácio CET1 médio do setor fixou-se em 14,6%, ligeiramente abaixo dos 14,7% reportados um ano antes, mas acima dos 14,5% do trimestre anterior. “A margem média de CET1 acima do requisito mínimo situava-se em cerca de 480 pontos base no final de junho de 2026”, realça.

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