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DBRS alerta para riscos de uma tesouraria baseada em criptomoedas
A agência de rating aponta supervisão, liquidez, volatilidade e custódia como pontos importantes a ter em conta na incorporação de ativos digitais
21 Ago 2025 - 11:34
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Foto: Adobe stock/DRN Studio
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A Morningstar DBRS publicou, nesta quinta-feira, uma análise sobre os riscos que podem enfrentar as empresas que integrem criptoativos na gestão das suas tesourarias. Segundo a agência de rating, que cita dados da Crypto.com, existem atualmente cerca de 15.000 empresas que aceitam bitcoin, das quais aproximadamente 2.300 a 2.400 estão localizadas ou têm sede nos Estados Unidos.
De acordo com o portal BitcoinTreasuries.net, estima-se que existam 3,68 milhões de bitcoins — avaliados em cerca de 428 mil milhões de dólares (USD) a 19 de agosto de 2025 — detidos em tesourarias de empresas públicas e privadas, fundos transacionados em bolsa (ETF) e outros fundos, governos, projetos de finanças descentralizadas (DeFi) e contratos inteligentes, bem como em bolsas de criptomoedas e junto de custodiantes. Esse montante representa cerca de 18% da atual oferta circulante de bitcoin.
Os ETF e outros fundos detêm a maior fatia destas reservas, com aproximadamente 1,48 milhões de bitcoins (40%), seguidos pelas empresas cotadas em bolsa, que possuem cerca de 983 mil bitcoins (27%).
Face a este contexto, a DBRS identifica alguns pontos críticos que as empresas devem considerar ao incorporar ativos digitais nas suas tesourarias.
O primeiro é o risco de liquidez. “Embora estejam a crescer rapidamente como classe de ativos, as criptomoedas podem estar sujeitas a risco de liquidez, dado que cada criptomoeda é transacionada num mercado específico, e nem todos os mercados têm a profundidade necessária para permitir uma atividade de negociação eficiente — sobretudo em períodos de elevada volatilidade ou quando as transações são relativamente grandes. Como resultado, os spreads entre compra e venda podem alargar-se de forma invulgar, o que pode agravar ainda mais a volatilidade dos preços e atrasar a execução das transações”, refere a DBRS.
Outro fator relevante é o risco de contraparte e de segurança. As empresas podem estar expostas a risco de contraparte associado às plataformas de negociação de criptomoedas. Um caso mediático, que ilustra a rápida evolução do ecossistema, ocorreu em 2023, quando a SEC — entidade que supervisiona o mercado de capitais norte-americano — alegou que a Coinbase operava como bolsa de valores não registada, por não estar inscrita como intermediário junto daquela autoridade. No entanto, a Coinbase estava — e continua a estar — registada na Financial Crimes Enforcement Network e licenciada como transmissora de dinheiro. Em fevereiro de 2025, a SEC acabou por retirar a ação judicial contra a empresa.
A DBRS destaca ainda que a própria função tradicional da tesouraria deve ser reavaliada quando envolve criptoativos. “A tesouraria corporativa desempenha um papel crítico na garantia da estabilidade financeira, permitindo a continuidade das operações e apoiando o crescimento e o desenvolvimento”, afirma o relatório, acrescentando que “a gestão de caixa e de liquidez é, provavelmente, a pedra angular da função de tesouraria corporativa. No entanto, dada a volatilidade inerente das criptomoedas, quando estas representam a maioria do capital disponível no balanço de uma empresa, podem surgir problemas quanto à sua fiabilidade como reserva de valor e como unidade de conta, em especial em períodos de stresse, seja ele específico da empresa ou de natureza macroeconómica”.
A instabilidade leva naturalmente à análise da volatilidade dos criptoativos. Um estudo realizado em junho de 2024 concluiu que, em média, o bitcoin é quase cinco vezes mais volátil do que o índice S&P 500 no curto prazo e quatro vezes mais volátil no longo prazo. Em consequência destas oscilações, as posições em criptomoedas podem incorrer em riscos de mercado significativos.
A DBRS salienta também que cada ativo digital apresenta riscos específicos. Por exemplo: “Tanto o bitcoin como o ethereum assentam na tecnologia blockchain; contudo, o bitcoin visa ser um meio de troca, ao passo que o ethereum foi concebido para facilitar contratos inteligentes (smart contracts) e aplicações de finanças descentralizadas (DeFi). Além disso, a tecnologia blockchain e o mecanismo de governação que suportam cada criptomoeda devem ser compreendidos em profundidade, de modo a avaliar a resiliência do ecossistema transacional e a prevenir riscos próprios de cada ativo.”
Por fim, surgem as considerações de custódia. Existem duas abordagens: a autocustódia, que oferece a vantagem do acesso imediato, mas implica riscos acrescidos em termos de perda acidental, autorização de transações, monitorização e reporte; e a utilização de custodiantes terceiros, como bolsas de negociação ou prestadores financeiros especializados, para armazenar e/ou executar transações com ativos digitais.
Independentemente do modelo de custódia adotado, a DBRS considera essencial avaliar como proteger as criptomoedas; verificar a exatidão dos extratos de conta; compreender como as transações são executadas; estabelecer protocolos de liquidação, caso necessário.
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