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Contas até 10 mil euros digitais por titular sem impacto na liquidez dos bancos
Estudo do Banco Central Europeu mostra que a versão digital da moeda única servirá, sobretudo, para pagamentos e não como poupança
26 Dez 2025 - 17:00
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Foto: Freepik/Kate Mangostar
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Foto: Freepik/Kate Mangostar
O euro digital será uma das prioridades do Banco Central Europeu (BCE) para 2026. Compreender como as famílias reagiriam à entrada em vigor deste novo meio de pagamento é uma das questões fundamentais para garantir o sucesso do projeto. Por isso, três elementos da Direção-Geral de Investigação do BCE elaboraram um documento intitulado “O euro digital: conhecimento, adoção e carteiras de clientes”, que reúne dados detalhados, a nível micro, da Pesquisa de Expectativas do Consumidor (CES) do BCE, abrangendo os 11 maiores países da zona euro.
Os resultados revelam um conjunto de fatores que irão condicionar a entrada em vigor do euro digital. A primeira conclusão é a de que as famílias estão cada vez mais sensibilizadas para aceitar e utilizar o euro digital. De acordo com os dados do CES recolhidos em 2021, apenas cerca de 9% dos entrevistados tinham ouvido falar do euro digital. Esse número aumentou para cerca de 40% em março de 2024, refletindo os esforços de comunicação pública do BCE. Além disso, os resultados do CES mostram que cerca de 45% dos consumidores entrevistados indicaram que provavelmente adotariam um euro digital e o utilizariam no dia a dia.
Uma das questões centrais é compreender como as famílias adaptariam os seus portefólios de ativos financeiros após a introdução do dinheiro digital do banco central. Para responder a esta questão, os responsáveis do BCE pediram aos participantes no estudo que imaginassem ter recebido um ganho inesperado de 10.000 euros (por exemplo, um bónus, um presente ou uma herança). Em seguida, foi solicitado que indicassem como alocariam esse ganho inesperado de riqueza entre diferentes ativos, incluindo ativos líquidos como dinheiro físico e o euro digital.
Os resultados indicam que “os consumidores alocariam, em média, apenas cerca de 5% de um ganho hipotético de 10.000 euros ao euro digital. Esse nível de alocação não exclui significativamente outras classes de ativos”.
“Em contrapartida, os consumidores alocariam mais de metade desse ganho a contas à ordem ou contas poupança (53%). Optariam também por alocar 12% a dinheiro físico, que é o substituto mais próximo do euro digital, dado que tanto o dinheiro físico como o euro digital são moedas de bancos centrais, com a diferença de que o dinheiro físico não pode ser utilizado como substituto para pagamentos digitais”, refere o estudo.
No entanto, a parcela média da carteira alocada ao euro digital supera a parcela alocada a criptoativos digitais alternativos de alto risco. “Estes resultados sugerem que, em condições normais, a moeda digital emitida por bancos centrais atuaria principalmente como um ativo transacional e não como um instrumento de investimento ou poupança. Portanto, a introdução de um euro digital resultaria apenas numa pequena realocação de liquidez dos depósitos bancários de retalho.”
Um dos efeitos que os bancos temem com a introdução do euro digital é a possível desintermediação bancária, com a fuga de liquidez para o BCE.
Para avaliar como os limites de retenção poderiam afetar a alocação de portefólios, o estudo atribuiu aleatoriamente diferentes valores de limite de retenção aos participantes do CES, variando entre 1.000 e 10.000 euros. Posteriormente, foi perguntado quanto dinheiro alocariam, dos seus recursos líquidos atuais, ao euro digital, de acordo com o limite atribuído.
Face às escolhas realizadas, os resultados sugerem que o valor do limite de retenção não teve diferença significativa na alocação de recursos líquidos atuais ao euro digital. Em condições normais, a adoção de CBDC (Moedas Digitais de Banco Central) dificilmente desencadeará uma desintermediação financeira em larga escala.
Além disso, em condições normais e conforme previsto, um euro digital seria utilizado principalmente para transações e não como instrumento de investimento ou poupança.
Consequentemente, o estudo estima “que a introdução de um euro digital conduza apenas a uma pequena realocação de liquidez dos depósitos bancários. Os resultados também sugerem que diferentes limites de retenção, entre 1.000 e 10.000 euros, teriam efeitos bastante reduzidos e insignificantes na composição dos ativos líquidos das famílias”.
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