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Consolidação bancária europeia deve prosseguir em 2026 e 2027, com destaque para os mercados italiano, nórdico e polaco
A S&P Global nota que, à medida que as recompras de ações deixam de ser tão atrativas, os bancos têm de alocar o capital em excesso de outras formas para gerar rentabilidade.
15 Fev 2026 - 15:18
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Os negócios de aquisições e fusões na banca europeia aumentaram cerca de 20% em 2025. A S&P Global prevê que esta tendência se mantenha ao longo de 2026 e 2027, “com os mercados italiano, nórdico e polaco a emergir como pontos-chave”. Esta tendência dos bancos europeus vem a reboque de “lucros mais fortes, ‘buffers’ de capital mais robustos e a necessidade de ganhar escala e diversificar as fontes de receitas para manter uma rentabilidade sustentável”, considera a agência de ‘rating’.
Entre 2024 e 2025, o número de transações aumentou de 183 para 219, sublinha a S&P Global, citando dados da EY. “As negociações estão a ir além das fusões destinadas a reforçar balanços financeiros fracos ou a cumprir exigências regulatórias. Em vez disso, os bancos estão cada vez mais a procurar negócios específicos que apoiem objetivos estratégicos, o que marca uma mudança de paradigma em relação ao período anterior a 2023”, explica.
A agência de notação financeira nota que, desde 2008, as aquisições e fusões entre bancos europeus evoluíram em fases. Logo após a crise houve “retração, reparação da folha de balanço e consolidação forçada”, com os bancos a focarem-se nos mercados ‘core’ e absorverem rivais mais pequenos. Esta fase furou até 2014.
A partir de 2017, com uma maior estabilidade e avaliações em baixo, os bancos maiores focaram-se em adquirir os de menor dimensão, “beneficiando de rácios ‘price-to-book’ baixos e ‘goodwill’ negativo”. Por fim, desde 2023, o aumento da rentabilidade, as taxas de juro mais altas e a recuperação das avaliações levaram a uma nova fase de negócios impulsionados pela economia, justifica a S&P Global.
Esta última fase, ilustra, tem sido apoiada por rácios de capital mais saudáveis, uma renovada confiança do lado dos investidores e um avanço final de governos acionistas, reticentes em desinvestir dos bancos resgatados.
Ao mesmo tempo, aponta a agência, as recompras de ações tornaram-se menos atrativas dada a subida de avaliações dos bancos. Assim, aumenta o capital retido e usado para financiar crescimento, nomeadamente através de aquisições. A S&P Global acredita, portanto, que os anúncios de negócios de aquisições e fusões vão continuar, com os bancos a usarem o seu excesso de capital para consolidar tanto nos seus mercados domésticos como para expandir no estrangeiro ou aprofundar negócios de baixo capital que gerem comissões.
O impacto da consolidação nas métricas de crédito
“Maior nem sempre significa melhor”, alerta a S&P Global. “Embora os bancos maiores normalmente beneficiem de maior diversificação, posições de mercado mais fortes e melhor acesso a financiamento, as fusões raramente são uma história de melhoria direta — principalmente porque os ganhos potenciais a longo prazo podem vir acompanhados de riscos maiores a curto prazo. A atual onda de negócios não é exceção”, realça.
A instituição indica que “consolidação crescente pode ajudar a sustentar a rentabilidade dos bancos”. “Dito isto, acreditamos que uma onda de consolidação doméstica seja improvável em mercados onde a rentabilidade dos bancos está sob pressão, incluindo França e Alemanha”, acrescenta.
A S&P Global sublinha que, em alguns casos, uma fusão pode enfraquecer o perfil de crédito de um banco. A agência dá o exemplo do italiano Mediobanca após ser adquirido pelo rival doméstico Monte dei Paschi. A instituição lembra que a aquisição de um ‘player’ estrangeiro ou de uma entidade não bancária não tem influência nas dinâmicas de mercado, mas pode levar a mudanças instantâneas no perfil de crédito do banco.
As possíveis mudanças de ‘rating’ após uma fusão ou aquisição, nota a S&P Global, implica uma análise de duas perspetivas. Do lado empresarial, a agência indica que, por norma, assume apenas que, no início, a entidade conjunta não vai dar um resultado maior do que a soma das partes. Do lado financeiro, a “estrutura do negócio importa, pois uma aquisição financiada por dinheiro acima do ‘book value’ pode ter implicações de curto prazo no ‘rating’”, atenta, ainda que não se verifique sempre.
A título de exemplo, a S&P Global aponta a aquisição do Santander Polónia pelo Erste Group, que a agência estima que tenha um impacto de 200 a 250 pontos base no rácio de capital ajustado de risco. Ainda assim, nota, manteve a perspetiva de ‘rating’ positiva, “considerando que o rácio de capital ajustado de risco do Erste Group de 13,9%, estimados no final de 2025, asseguram que o capital e o lucro não são impactados”.
Por outro lado, voltando ao Mediobanca e Monte dei Paschi, a agência de notação financeira recorda que “riscos de integração acrescentam pressão. Alinhar sistemas, ‘governance’ e culturas de risco é caro e disruptivo. Sinergias de custos são frequentemente adiadas e despesas de reestruturação iminentes”, sublinha, dando a aquisição que se deu no mercado italiano como exemplo.
“Dito isto, o verdadeiro efeito das aquisições e fusões nas métricas de crédito dos bancos é frequentemente limitada. A qualidade dos ativos permanece geralmente estável, uma vez que as fusões e aquisições tendem a diversificar as exposições ou, na pior das hipóteses, têm um efeito neutro”, remata.
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