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Como o financiamento da IA está a pressionar o sistema financeiro
BIS lança primeiro alerta do ano sobre empresas do setor da Inteligência Artificial que estão cada vez mais a financiar os seus investimentos através de dívida em vez de fluxos de caixa
08 Jan 2026 - 18:00
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foto: Freepick
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O Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), conhecido como “o banco central dos bancos centrais”, alerta no seu primeiro boletim do ano para a pressão que o financiamento do setor da Inteligência Artificial (IA) poderá exercer sobre a estabilidade do sistema financeiro.
Num trabalho intitulado “Financiamento do boom da IA: de fluxos de caixa a dívida”, da autoria dos economistas Iñaki Aldasoro, Sebastian Doerr e Daniel Rees, publicado esta semana é referido que “o investimento relacionado com a inteligência artificial (IA) está em franca expansão — tanto em valores nominais como em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) — e representa atualmente uma parcela substancial do crescimento económico”.
No cerne desta transformação encontra-se o aumento das despesas de capital necessárias para construir a infraestrutura física da IA, como centros de dados, e a infraestrutura tecnológica associada, incluindo servidores, hardware de rede, sistemas de refrigeração, ligações à rede elétrica e centrais de energia.
Estes investimentos são essenciais para suportar a enorme procura de recursos computacionais e instalações de armazenamento de dados necessários para treinar e operar modelos de IA.
A forma de financiar estes investimentos está a provocar uma mudança na origem dos recursos, passando de fluxos de caixa internos para dívida, referem os responsáveis do BIS.
“As principais empresas do setor de tecnologia da informação (TI) financiavam historicamente grande parte dos seus investimentos internamente, através de fluxos de caixa operacionais (dinheiro gerado pela própria atividade da empresa). Contudo, a dimensão atual e prevista das necessidades de investimento relacionadas com a IA é agora tão vasta que as empresas estão a recorrer a fontes externas de financiamento”, refere o estudo, acrescentando que “estão, por isso, a financiar cada vez mais os investimentos em IA através de dívida, uma mudança que não só está a remodelar os balanços das empresas, como também levanta questões importantes sobre padrões de crédito e estabilidade financeira”.
O boletim alerta para o facto de que “a crescente dependência da dívida introduz vulnerabilidades no sistema financeiro em geral. As empresas de IA, tradicionalmente dependentes de fluxos de caixa internos e de capital próprio, enfrentam agora um maior grau de alavancagem, o que poderia amplificar choques e afetar a saúde dos intermediários financeiros caso os retornos esperados dos investimentos em IA não se concretizem”.
“Isto levanta preocupações sobre o potencial de contágios sistémicos, sobretudo considerando o rápido crescimento de mercados de crédito privado menos transparentes e o financiamento circular dentro do ecossistema de IA”, acrescenta o BIS.
Para além disso, “algumas das estruturas de financiamento atualmente criadas para apoiar os investimentos em IA podem mascarar a alavancagem ao movê-la para fora do balanço. No entanto, a alavancagem não desaparece simplesmente por estar fora de vista”, refere o boletim.
O documento indica que “em 2025, os fundos originaram mais de 40 mil milhões de dólares em empréstimos a empresas relacionadas com IA, comparado com cerca de 3 mil milhões em 2010. A quota de empréstimos diretos relacionados com IA aumentou de praticamente 0% para cerca de 4% em 2025”.
Segundo o BIS, “a viabilidade a longo prazo do aumento do investimento em IA depende de cumprir as elevadas expectativas incorporadas nesses investimentos, existindo uma desconexão entre o preço da dívida e as avaliações das empresas em bolsa, que estão a pressupor retornos muito elevados no futuro. O não cumprimento dessas expectativas poderia resultar em correções acentuadas tanto nos mercados de ações como nos de dívida”.
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