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Começa a especulação sobre sucessor de Lagarde: economistas favorecem ex-governadores de Espanha e Países Baixos

O mandato de Christine Lagarde termina apenas em novembro de 2027, mas há nomes que já surgem como pré-candidatos, como é o caso de Isabel Schnabel ou Joachim Nagel.

07 Jan 2026 - 07:14

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Foto: Christine Lagarde | Parlamento Europeu

Foto: Christine Lagarde | Parlamento Europeu

O mandato da presidente do Banco Central Europeu (BCE) ainda está a quase dois anos de terminar, mas o burburinho sobre quem vai ocupar a sua cadeira a seguir já soa. O BCE tem vários membros da sua Comissão Executiva em fim de mandato -como é o caso do vice-presidente, Luis de Guindos – e a sua composição ainda vai levar reviravoltas.

Num inquérito feito a 70 economistas pelo Financial Times (FT), houve dois nomes que se destacaram como sendo os preferidos entre estes profissionais: o ex-governador do Banco de Espanha, Pablo Hernández de Cos, e o homólogo neerlandês, Klaas Knot. Entre os inquiridos, 26% votou em Hernández de Cos e 24% em Knot.

Há ainda duas pessoas que já expressaram vontade em ocupar o cargo mais alto do BCE – e também o mais bem remunerado das instituições europeias – o atual governador do Bundesbank, Joachim Nagel, e Isabel Schnabel, que já integra a Comissão Executiva do BCE. Estes dois candidatos tiveram um apoio de 7% e 14%, respetivamente.

Apesar destas votações, a segunda opção a ter maior percentagem de votos foi a que indica não ter uma preferência à data. Houve ainda 18 economistas que não responderam de todo a esta questão apontando a natureza delicada de tal apoio.

Comentando sobre estes possíveis sucessores, o diretor de ‘Fixed Income’ na gestora de ativos alemã Union Investment, Christian Kopf, citado pelo FT, acredita que Hernández de Cos é “o candidato com maior conhecimento técnico sobre política monetária e bancos centrais”. Recorde-se que o ex-governador espanhol é, neste momento, o diretor-geral do Banco de Pagamentos Internacionais.

Kopf acrescenta ainda que nomear um “tecnocrata de carreira”, como é o caso de Hernández de Cos, seria “um forte sinal de que a Europa não vacilará e que o euro continuará a ser uma moeda forte” numa altura em que a independência dos bancos centrais tem sido posta em causa em países como os EUA.

Por sua vez, Francesco Papadia, um economista do ‘think-tank’ Bruegel, considera Knot um legislador com uma “abordagem sólida e orientada para a estabilidade em matéria de política monetária”, ao mesmo tempo que tem a “flexibilidade necessária para se adaptar a circunstâncias em mudança”.

Alguns dos inquiridos deixaram a nota de que não votaram em Isabel Schnabel pois presumiram que ela não pudesse presidir ao BCE por já fazer parte da Comissão Executiva antes.

Que nacionalidade para o comando do BCE?

Sobre qual deve ser a nacionalidade do próximo presidente do BCE, existem perspetivas díspares. Jesper Rangvid, professor na Copenhagen Business School, defende que, 29 anos após a criação do BCE, está na altura de um alemão tomar as rédeas. Note-se que nunca o presidente do banco central veio da maior economia europeia.

Já o fundador da Thin Ice Macroeconomics, Spyros Andreopoulos, sublinha que uma nomeação alemã poderia ter “importância simbólica” num país onde a extrema direita eurocética está a ganhar terreno. Por outro lado, outros inquiridos consideram esta uma opção improvável, tendo em conta que a presidência da Comissão Europeia já está entregue a Ursula von der Leyen, que é alemã.

Outras pessoas questionadas pelo FT apontaram que o processo de sucessão é complexo e imprevisível. “Quem previu que Lagarde se ia tornar presidente do BCE?”, questiona o economista-chefe do Commerzbank, Jörg Krämer.

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