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Cipollone: “O papel do dinheiro em espécie está a diminuir à medida que a digitalização se acelera”

O membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu reiterou que os custos do euro digital deverão situar-se na ordem dos 300 milhões de euros por ano para o Eurosistema.

20 Fev 2026 - 07:30

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Piero Cipollone, membro do Conselho Executivo do BCE | Foto: BCE

Piero Cipollone, membro do Conselho Executivo do BCE | Foto: BCE

“O papel do dinheiro em espécie está a diminuir à medida que a digitalização se acelera. E quase dois terços das transações com cartão na área do euro são processadas por empresas não europeias”, afirmou esta semana Piero Cipollone, na Comissão Parlamentar Italiana de Inquérito ao Sistema Bancário, Financeiro e de Seguros.

O responsável acrescentou que “13 países da área do euro dependem inteiramente de redes internacionais de cartões. E, nos países que dispõem de uma rede nacional de cartões ou de um sistema nacional de pagamentos para o comércio eletrónico, como a Itália (e Portugal), os dados mostram que esses sistemas estão a perder quota de mercado em toda a Europa”.

Cipollone indicou ainda que a introdução do euro digital poderá custar aos bancos europeus entre quatro e seis mil milhões de euros, distribuídos ao longo de quatro anos. Já os custos para o BCE deverão ascender a 1,3 mil milhões de euros, o que corresponde a cerca de 300 milhões de euros por ano.

Segundo o membro do Conselho do Governadores do BCE, os bancos poderão compensar estes custos através das comissões cobradas aos comerciantes pelos serviços digitais em euros que irão prestar.

“Concebemos o euro digital de forma a garantir que os bancos não sejam desintermediados”, afirmou Cipollone, acrescentando que “desde o início previmos que o euro digital seria distribuído através dos bancos e de outros intermediários supervisionados. Tal como acontece com o numerário, os bancos continuarão a ser os principais intermediários junto dos utilizadores. Temos mantido uma interação ativa com os participantes do mercado, incluindo os bancos”.

“Além disso, as posições em euros digitais não serão remuneradas e estarão sujeitas a limites de detenção, a fim de evitar o risco de saídas excessivas de depósitos, especialmente em momentos de crise. As nossas avaliações técnicas mais recentes confirmam que a utilização do euro digital para pagamentos do dia a dia não prejudica a estabilidade financeira”, referiu. Acrescentou ainda que, “como será possível associar a carteira digital em euros a uma conta bancária comercial, as pessoas poderão efetuar e receber pagamentos em euros digitais de forma simples, mesmo para montantes mais elevados”.

Para Cipollone, “ao mesmo tempo que preserva a estabilidade financeira, o euro digital tornará mais vantajoso para os bancos oferecerem soluções de pagamento aos seus clientes. Atualmente, com as redes internacionais de cartões, os bancos perdem comissões. Com as grandes empresas tecnológicas que oferecem soluções de pagamento móvel, perdem comissões e dados. E, no futuro, com as stablecoins — que não têm limites de detenção — perderiam comissões, dados e depósitos de clientes de retalho”.

“O modelo de remuneração previsto para o euro digital garante que os bancos beneficiarão quando os pagamentos migrarem dessas soluções para o euro digital. Como já referi, tal deve-se ao facto de o Eurosistema não cobrar comissões de sistema ou de liquidação, gerando poupanças que poderão ser distribuídas entre bancos e comerciantes”, explicou.

Um inquérito do Eurosistema indica que 66% dos europeus afirmaram estar interessados em experimentar o euro digital. “O euro digital será uma solução de pagamento para todas as ocasiões. Poderá ser utilizado a qualquer hora e em qualquer lugar na área do euro — tal como o numerário, mas em formato digital. Será universalmente aceite e gratuito para utilizações básicas”, concluiu Cipollone.

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