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Chá, café e doces impulsionaram a inflação em 2025

Estudo do Banco Central Europeu mostra que os preços dos alimentos deverão ter um comportamento mais moderado ao longo de 2026

13 Jan 2026 - 07:18

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Foto: Freepik

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Compreender a persistência da inflação alimentar em 2025 é importante, sobretudo porque a dinâmica dos preços dos alimentos desempenha um papel significativo na perceção da inflação por parte dos consumidores e nas suas expectativas de inflação a curto prazo. O Banco Central Europeu (BCE) realizou uma série de entrevistas junto dos consumidores, com o objetivo de identificar quais foram os bens que mais contribuíram para a evolução dos preços dos alimentos no ano passado.

De acordo com o BCE, a média da inflação alimentar em 2025 (entre janeiro e novembro) foi de 2,9%, mantendo-se acima da média de longo prazo pré-pandemia, de 2,2%, desde dezembro de 2021. Entre os diferentes componentes do índice, “os principais responsáveis pela taxa de inflação acima da média em 2025 foram o ‘café, chá e cacau’, o ‘açúcar, compota, mel, chocolate e confeitaria’ (doces) e as ‘carnes’”. Nos últimos meses, o café, o chá, o cacau, os doces e as carnes representaram mais de 50% da taxa anual de inflação alimentar, apesar de terem um peso inferior a 25% no Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) alimentar.

“Mais recentemente, as taxas de crescimento mensal sugerem uma redução da pressão sobre os preços de alguns itens, como o café, o chá, o cacau e os doces”, refere o estudo do BCE, publicado esta semana.

O documento assinala que os preços das commodities alimentares têm sido importantes impulsionadores dos recentes aumentos dos preços dos alimentos para o consumidor, refletindo fenómenos climáticos extremos, bem como outros fatores estruturais. Os preços das commodities do cacau e do café atingiram novos máximos no início de 2025, tendo mais do que duplicado desde janeiro de 2024.

O BCE destaca igualmente a ligação entre o aumento dos preços e os eventos climáticos sucessivos. “Por exemplo, estimamos que a onda de calor do verão de 2025 poderá aumentar os preços dos alimentos não transformados na área do euro em 0,4 a 0,7 pontos percentuais após um ano. Por outro lado, os preços da carne na Europa — especialmente da carne de bovino — têm sido impulsionados por um declínio estrutural contínuo da oferta, num contexto de procura crescente. Assim, os preços da carne pagos aos produtores europeus atingiram um pico em junho de 2025 — 17% acima do valor registado em janeiro de 2024 — antes de recuarem ligeiramente”.

Olhando para o futuro, o BCE espera que a inflação alimentar diminua ainda mais, impulsionada, no curto prazo, pela desaceleração das expectativas de preços de venda. As projeções macroeconómicas da equipa do Eurosistema, publicadas em dezembro de 2025 e relativas à área do euro, preveem uma descida da inflação alimentar no curto prazo, atingindo 2,1% no terceiro trimestre de 2026, e a sua manutenção em níveis moderados ao longo do restante horizonte de projeção.

No curto prazo, esta perspetiva é corroborada pelos fabricantes de alimentos e bebidas que participam no inquérito empresarial da Comissão Europeia, cujas expectativas de preços de venda para os próximos três meses diminuíram desde abril, situando-se abaixo da média de longo prazo observada entre 1999 e 2019.

Em contrapartida, as expectativas de preços de venda entre os retalhistas de alimentos, bebidas e tabaco apresentaram uma moderação menos acentuada e mantiveram-se acima da média de longo prazo, o que pode refletir, em parte, o crescimento salarial ainda elevado neste setor.

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