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BCE pede mais rapidez na transição verde
Supervisor europeu refere o impacto dos eventos climáticos extremos na inflação e pede o fim das barreiras estruturais ao investimento verde
16 Fev 2026 - 12:31
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O primeiro destaque do Boletim Económico do Banco Central Europeu (BCE) é dedicado à transição verde, sublinhando a necessidade de acelerar o processo de transição para energias mais limpas. Num artigo assinado pelas economistas Miles Parker e Susana Parraga Rodríguez, divulgado nesta segunda-feira, as especialistas salientam que “as temperaturas globais continuam a subir, sendo 2024 o primeiro ano em que ultrapassaram 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Desde 1980, os quatro piores anos em termos de danos físicos (em termos reais) causados por eventos climáticos extremos na Europa foram 2021, 2022, 2023 e 2024”, realçando o efeito destes fenómenos na inflação, “principalmente nos preços dos alimentos”. Por exemplo, “após secas severas em Espanha e em Itália, os preços do azeite estavam 50% mais elevados em janeiro de 2024 do que no ano anterior”, refere o artigo.
O trabalho chama ainda a atenção para as barreiras estruturais que, na União Europeia, restringem o investimento verde e a difusão de novas tecnologias. “Essas barreiras incluem falhas de mercado, fricções financeiras e custos que desincentivam a inovação e a transição para novas tecnologias”, entre as quais “falhas de mercado como externalidades ambientais negativas, concorrência imperfeita, fuga de conhecimento, bem como uma regulamentação complexa, fragmentada e incerta”.
Para o BCE, “a tributação do carbono é amplamente vista como o melhor instrumento para internalizar os custos ambientais, mas não consegue, por si só, superar todas as barreiras à transição verde”, pelo que são necessárias “políticas estruturais que melhorem o ambiente de negócios, facilitem a reafectação de recursos e estimulem a concorrência e o empreendedorismo, ao mesmo tempo que reduzam parte da incerteza regulatória existente”.
“As restrições regulatórias são citadas com mais frequência como uma barreira ao investimento verde do que a outros tipos de investimento. Simplificar a regulamentação, sobretudo para acelerar substancialmente o processo de licenciamento, pode ajudar as empresas a realizar os investimentos necessários para descarbonizar os seus processos de produção”, refere o BCE.
Segundo o documento, “é provável que estas medidas também gerem ganhos económicos mais amplos, uma vez que muitos dos estrangulamentos estruturais que dificultam a transição verde também afetam a produtividade, a competitividade e a capacidade de inovação da Europa a longo prazo”.
O BCE dá ainda como exemplo a falta de competitividade da indústria europeia: “Apesar da redução dos custos das energias renováveis, as tecnologias verdes continuam a ser mais caras na Europa do que noutras grandes economias, particularmente na China. Por exemplo, os custos de produção de baterias são quase 50% mais elevados, os de eletrolisadores 61% mais elevados e os de bombas de calor quase o dobro”.
Em conclusão, o BCE considera que “olhando para o futuro, o esforço político para fomentar a transição verde deve ser encarado não só como uma necessidade ambiental, mas também como uma estratégia económica”, salientando que “o reforço do ecossistema de inovação da UE, a expansão das tecnologias limpas e a redução da fragmentação regulamentar contribuiriam para assegurar a resiliência energética da Europa, reforçar a competitividade industrial e limitar a exposição das famílias e empresas europeias à volatilidade dos mercados de combustíveis fósseis. Ao enfrentar estas barreiras estruturais agora, a UE pode colocar-se num caminho mais sólido rumo a um modelo económico mais sustentável e dinâmico”.
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