5 min leitura
Bancos suíços menos otimistas com lucros nos próximos anos
Otimizar resultados à medida que as taxas de juros caem e lidar com o endurecimento das regulamentações, a disseminação da inteligência artificial e com as questões de sustentabilidade entre as preocupações, segundo o barómetro anual da EY.
10 Jan 2025 - 11:13
5 min leitura
Foto: Unsplash/Claudio Schwarz
Mais recentes
- 2025 bateu o recorde de depósitos de particulares nos bancos
- Revolut lança primeiro cartão ‘ultra-premium’ para empresas no Reino Unido
- DBRS vê sistemas de pagamentos sem impacto com o conflito no Médio Oriente
- Novo Banco debate descarbonização e resiliência a riscos climáticos em ‘Semana da Sustentabilidade’
- Dono do brasileiro Banco Master detido
- Suíça já escolheu as novas notas para 2030
Foto: Unsplash/Claudio Schwarz
Apesar de os últimos anos terem sido marcados por lucros crescentes para a maioria dos bancos suíços (87%), as expectativas para o futuro próximo são mais cautelosas. De acordo com o Barómetro Bancário EY 2025, 40% das instituições financeiras esperam uma diminuição nos lucros a médio prazo, porém, 85% mantêm uma visão otimista para o longo prazo. O estudo, conduzido pela EY Switzerland, inquiriu cerca de 100 bancos e destacou os principais desafios e oportunidades do setor.
A análise diz ainda que 74% dos bancos antecipam margens de lucros menores nos próximos dois anos, impulsionadas por custos de refinanciamento mais altos. Mesmo assim, apenas um banco em dez (10%) espera que as taxas de juros caiam para o nível em que estavam antes das taxas mudarem de direção.
A aquisição do Credit Suisse deixou uma marca, segundo a análise. Quando se trata do negócio de clientes corporativos, dois terços dos bancos estão a ver uma procura maior por financiamento após a perda de uma das duas principais instituições. No entanto, apenas 49% dos bancos conseguiram traduzir essa procura em margens mais altas. O desafio de longo prazo ainda é combater a erosão da margem, oferecendo uma melhor experiência ao cliente e aconselhamento personalizado, apura o barómetro.
Confiança no mercado imobiliário continua elevada
A queda das taxas de juros está a ter um efeito estabilizador no mercado imobiliário e os preços continuam a subir. A garantia hipotecária, que compõe cerca de três quartos (77%) das exposições dos bancos, continua, portanto, a aumentar em valor. Apenas 7% dos bancos esperam que as imparidades hipotecárias aumentem. Este é o menor número desde que o Barómetro Bancário foi lançado, em 2010.
Também ainda há pouca necessidade de provisionamento de risco em empréstimos para PME. Apesar de alguns ‘outliers’ negativos causados pelo aumento acentuado nas taxas de juros nos últimos anos e pela incerteza económica atual (ameaça de tarifas de importação dos EUA, custos de energia e crises geopolíticas), a confiança bancária bate recordes: apenas 33% dos bancos suíços esperam uma necessidade maior de provisionamento de risco para os seus empréstimos a PME no curto prazo.
A análise dá conta ainda de que novos equilíbrios estão a ser formados no centro financeiro suíço, e não apenas como resultado da aquisição do Credit Suisse. Para as cerca de 100 instituições pesquisadas, as principais questões para os próximos anos passam por otimizar os seus resultados à medida que as taxas de juros caem, lidar com o contínuo endurecimento das regulamentações e com a disseminação da inteligência artificial (IA) e as questões relacionadas com a sustentabilidade.
“Os bancos suíços enfrentam um ano desafiador em 2025, com taxas de juros em queda, erosão das margens e regulamentação crescente. Ao mesmo tempo, o intuito de usar IA oferece enormes oportunidades. O ato de equilíbrio entre eficiência, foco no cliente e disciplina de custos é a chave para o sucesso a longo prazo”, refere Fredrik Berglund, gestor de Auditoria, Serviços Financeiros da EY Suíça, em comunicado.
Impacto crescente da IA
A inteligência artificial e a GenAI estão a tornar-se cada vez mais importantes. A IA subiu do 19º lugar para o 6º na lista de 30 questões prioritárias dos bancos. A percentagem de bancos que já usa IA mais que duplicou desde o ano passado, de 6% para 15%. As áreas de implantação mais frequentemente mencionadas são automação de processos (55%) e conformidade (54%).
Apesar da crescente importância da IA, os bancos ainda não estão totalmente prontos para os requisitos regulatórios, especialmente no que diz respeito à proteção de dados, refere a análise. Um quinto (19%) sente que não está “nada” preparado quando se trata de corresponder às condições regulatórias para o uso da IA.
Procurar o equilíbrio com a sustentabilidade
A sustentabilidade ainda é uma questão relevante, mas está a diminuir comparativamente com os temas tecnológicos, como a IA e ‘big data’. A percentagem de bancos que aplica critérios de sustentabilidade em empréstimos caiu pela primeira vez, de 72% para 67%.
Segundo a EY, os clientes estão a mostrar alguma incompatibilidade entre a procura declarada e o seu comportamento de investimento real quando se trata de produtos sustentáveis. Quase nenhum banco (1%) considera as ofertas de sustentabilidade como uma característica distintiva.
O maior desafio de sustentabilidade para os bancos está em cumprir com as obrigações de produzir relatórios (33%), e muito menos em responder aos desejos dos clientes, o que foi mencionado por apenas 10% das instituições financeiras pesquisadas.
No entanto, a importância da sustentabilidade continua alta. Os requisitos regulatórios em particular estão a contribuir para isso, seja pela obrigatoriedade de produzir relatórios ou pelos requisitos para obter preferências de investimento em relação a questões ESG (sigla para ambiental social e governação).
Além disso, os bancos correm o risco de potenciais acusações de ‘greenwashing’, representando um risco crescente para a sua reputação.
Mais recentes
- 2025 bateu o recorde de depósitos de particulares nos bancos
- Revolut lança primeiro cartão ‘ultra-premium’ para empresas no Reino Unido
- DBRS vê sistemas de pagamentos sem impacto com o conflito no Médio Oriente
- Novo Banco debate descarbonização e resiliência a riscos climáticos em ‘Semana da Sustentabilidade’
- Dono do brasileiro Banco Master detido
- Suíça já escolheu as novas notas para 2030