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Ana Botín apresentará um novo Santander

A CEO do grupo espanhol vai dar a conhecer a nova estratégia até 2028 num encontro com investidores que se realiza amanhã

24 Fev 2026 - 16:35

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Ana Botín, CEO do Banco Santander | Foto: Santander

Ana Botín, CEO do Banco Santander | Foto: Santander

A presidente executiva do Grupo Santander, Ana Botín, vai prometer um banco mais enxuto, com maior redução de custos graças às iniciativas de digitalização e com enfoque estratégico no crescimento em mercados desenvolvidos, noticiou nesta terça-feira a agência Reuters, citando fontes próximas de Botín.

Nesta quarta-feira realiza-se o “Dia do Investidor Santander” e, na intervenção de abertura, a presidente executiva do Grupo fará um balanço de 2025 e apresentará a estratégia para o período 2026-2028.

Recorde-se que o Santander fechou um acordo de 10,3 mil milhões de euros no início deste mês para comprar o banco norte-americano Webster, reforçando a posição dos Estados Unidos como um dos seus três principais mercados, juntamente com Espanha e Grã-Bretanha.

A aquisição, que sucede ao acordo para a compra do TSB no Reino Unido no ano passado, constitui um passo fundamental para cumprir a promessa de longa data da presidente executiva, Ana Botín, de simplificar a estrutura do banco, disseram investidores e analistas à Reuters antes da atualização da estratégia trienal, prevista para o encontro de hoje com investidores.

Botín, a quarta geração da sua família a liderar o banco, apresentará igualmente os planos da instituição para aumentar o seu índice de rentabilidade para acima de 20% até 2028, face aos atuais 16,3%.

Durante décadas, a diversificação do Santander, abrangendo 10 mercados principais, protegeu o banco de recessões económicas em regiões específicas, mas deixou-o vulnerável a desvalorizações cambiais, particularmente na América Latina.

Tal também travou a valorização das ações do banco. No entanto, lucros recorde e um maior crescimento em mercados como Espanha ajudaram as ações a valorizar cerca de 80% no último ano. O Santander, agora avaliado em quase 160 mil milhões de euros, ultrapassou o suíço UBS como o maior banco em valor de mercado na Europa continental.

Ao contrário de outros bancos europeus que apostam em recompras de ações cada vez mais expressivas, o Santander gastou mais de 15 mil milhões de dólares em aquisições desde meados de 2025 para impulsionar o crescimento e corrigir o fraco desempenho de algumas filiais do Grupo.

“Ela ainda tem um longo caminho a percorrer, mas é um ponto de partida muito forte”, afirmou Filippo Alloati, responsável pela área financeira da Federated Hermes e investidor em títulos do Santander. “Vão tornar-se um player sério, não apenas alguém que quer testar o mercado norte-americano.”

Apesar da recente valorização das ações, os investidores mantêm-se cautelosos. As ações do Santander são negociadas a 1,56 vezes o valor contabilístico, um indicador comum do valor que os investidores atribuem a um banco. Embora este rácio tenha melhorado e esteja acima da média dos bancos europeus, continua a ser inferior ao de alguns concorrentes.

Uma fonte familiarizada com a estratégia do Santander disse à Reuters que o Dia do Investidor se vai concentrar na redução de custos e no aumento da eficiência, classificando-o como um “trabalho inacabado”, uma vez que os custos continuam desfavoráveis em comparação com o rival espanhol BBVA.

Os planos do Santander para gerar economias de escala centram-se na criação de uma plataforma comum de Tecnologias de Informação (TI) e na implementação de um modelo operacional unificado em todos os negócios globais, o que a empresa espera que reduza os custos de serviço.

“Estamos nas fases iniciais da melhoria do modelo de negócio… o mercado ainda está algo cético”, afirmou Alberto Chiandetti, gestor de carteira da Fidelity International, que detém ações do Santander.

Tal como outros bancos europeus, o Santander reduziu o seu quadro de pessoal para diminuir custos, dispensando cerca de 14.000 trabalhadores nos últimos dois anos, passando para menos de 200.000 colaboradores.

O rácio custo/rendimento do banco caiu para 41,2% no final de 2025. O BBVA encerrou 2025 com um rácio de 38,8%.

Andrea Filtri, responsável de research da Mediobanca, prevê que as economias relacionadas com fusões e aquisições e com a transformação tecnológica do Santander poderão permitir que o banco alcance um rácio custo/rendimento entre 30% e 39%.

A decisão do Santander de expandir as operações nos EUA e na Grã-Bretanha faz parte do reconhecimento de que o banco necessita de maior escala para resolver a baixa rentabilidade, afirmam investidores e analistas.

As aquisições da Webster e do TSB elevam a participação dos mercados desenvolvidos no resultado operacional bruto do Santander para quase dois terços, numa base pro forma, comparando com 56% sem esses negócios, afirmou o banco.

Até ao momento, o Santander indicou que a poupança anual de custos decorrente da aquisição da Webster — um negócio que reduzirá os custos de financiamento nos EUA e tornará o grupo numa das cinco maiores instituições do setor no nordeste dos Estados Unidos — deverá atingir 800 milhões de dólares (677,6 milhões de euros), enquanto as sinergias com o TSB deverão gerar 400 milhões de libras (457,6 milhões de euros).

Embora o Santander mantenha uma política de distribuição de 50% dos lucros ordinários — metade em numerário e metade em recompras de ações —, alguns analistas defendem uma política de dividendos mais generosa, tendo em conta a elevada taxa de solvabilidade do banco.

O Santander e Ana Botín decidiram que o excesso de capital será mais bem aplicado em fusões e aquisições. O banco estima que o negócio com a Webster proporcionará um retorno sobre o capital investido de aproximadamente 19%, cerca de seis pontos percentuais acima do retorno potencial de uma recompra de ações.

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