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A verdadeira revolução do crédito habitação está nas mãos dos intermediários

João Capucho, Managing Director, Finsolutia

09 Dez 2025 - 16:38

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Nos últimos anos, a intermediação de crédito deixou de ser um fenómeno marginal em Portugal, para se tornar a preferência de milhares de famílias.

Sabemos que, segundo o BdP, em 2024 mais de 56%* dos contratos de crédito à habitação (CH) tiveram origem nos intermediários de crédito. Este crescimento confirma a tendência da diminuição do recurso tradicional aos balcões dos bancos e consolida a posição do intermediário de crédito como uma figura central neste ecossistema, refletindo a procura crescente por processos mais ágeis, digitais, transparentes e personalizados.

Contudo, este crescimento acarreta novos desafios. Por um lado, os intermediários de crédito constituem cada vez mais a porta de entrada preferencial dos consumidores, no acesso ao crédito. Por outro lado, estes profissionais enfrentam, cada vez mais, a pressão de gerir processos longos, com muita repetição e interação e, que demoram, em média, 45 dias entre o primeiro contacto e a escritura. Num mercado imobiliário onde é o vendedor quem manda, este período é suficiente para que um comprador, que até já tem financiamento, perca o negócio.

Cada etapa desta jornada, desde a recolha de documentação à análise de risco, validação de propostas e acompanhamento do cliente, consome tempo e recursos que, idealmente, deveriam ser otimizados. Para quem pretende adquirir uma habitação, este período é frequentemente marcado por ansiedade, incerteza e, por vezes, oportunidades perdidas.

A solução não passa necessariamente pelo reforço dos recursos humanos, mas sim pela adoção de tecnologia que permita melhorar a eficiência do processo. A caracterização rigorosa do cliente, a recolha automática de documentação e a ligação em tempo real aos bancos, por exemplo, através de APIs (uma API, Application Programming Interface, é uma interface que permite a comunicação e integração entre diferentes sistemas ou aplicações de forma padronizada), plataformas integradas ou agentes de inteligência artificial, já não constituem apenas uma mera vantagem competitiva, mas sim uma condição essencial para transformar semanas em dias.

Acresce a automação, que constitui também o propulsor extra desta transformação, permitindo reduzir prazos e custos, minimizar erros e permitir que os profissionais se concentrem no que verdadeiramente acrescenta valor: o aconselhamento especializado e a personalização da experiência.

Os processos repetitivos, como a verificação de documentos, a gestão de etapas ou a comparação de propostas, devem ser tratados por sistemas inteligentes e explicados por gestores de crédito expeditos. Esta mudança beneficia os bancos, que reduzem os seus custos operacionais e melhoram a pré-seleção de risco, beneficia os intermediários, que ganham tempo para se dedicarem ao aconselhamento de valor, e, obviamente, beneficia os clientes, que têm acesso a processos mais rápidos, simples e transparentes.

É importante salientar que esta mudança só se irá concretizar quando avançarmos para o próximo passo: uma transformação digital que integre plataformas capazes de gerar propostas competitivas de forma automática, ligando todos os intervenientes em cada fase do processo e antecipando necessidades com base em dados preditivos. Esta evolução irá possibilitar que a inteligência artificial, tanto a generativa como a preditiva, deixe de ser um mero conceito abstrato para se tornar numa ferramenta concreta de decisão, contribuindo para escolhas mais informadas.

É neste contexto que surgem soluções tecnológicas desenvolvidas para apoiar os intermediários na sua atividade. O Habic é o exemplo de uma plataforma tecnológica desenvolvida para impulsionar o trabalho dos intermediários de crédito, permitindo integrar simulações de crédito de vários bancos numa única plataforma, centralizando etapas outrora dispersas e demoradas. Ou seja, combina a gestão do cliente com a gestão dos processos de crédito com múltiplos bancos. Esta ferramenta tem um acelerador de IA integrado que permite uma substancial redução do tempo para o gestor de crédito, em todas estas tarefas.

É evidente que nem todos os processos podem ser 100% automatizados. Há contextos em que a tecnologia não consegue substituir a empatia, a capacidade de negociação e o conhecimento humano. Portanto, espera-se que os intermediários de crédito investam precisamente onde a IA não consegue: na personalização, na humanização e no aconselhamento especializado, elementos fundamentais para criar confiança e proporcionar uma experiência única ao cliente.

A verdadeira revolução do crédito à habitação está, afinal, nas mãos dos intermediários que, ao combinarem tecnologia, regulação e personalização, têm a oportunidade concreta de transformar a experiência do cliente. O debate já não se centra na necessidade de digitalização, mas na coragem de a executar com ambição e consistência.

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