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2025 bateu o recorde de depósitos de particulares nos bancos

No final de dezembro existiam 200,7 mil milhões de euros aplicados nestes instrumentos de poupança. Taxa de juro média situa-se em 1,34%

05 Mar 2026 - 07:30

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Foto: Freepik

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Nunca os bancos tiveram tantos depósitos de clientes particulares como no final de dezembro de 2025: foram 200,7 mil milhões de euros, segundo os números divulgados esta semana pelo Banco de Portugal, num documento em que o supervisor analisa a evolução do setor bancário em Portugal entre 2000 e 2025. No primeiro mês de 2026, os aforradores levantaram 61,1 milhões de euros.

No período entre 2022 e 2025, os depósitos de particulares aumentaram, em média, sete mil milhões de euros por ano, consolidando-se como a principal fonte de financiamento do setor bancário. Como resultado desta evolução, o rácio de transformação desceu para um nível historicamente baixo: 78% em dezembro de 2025.

Nem sempre foi assim. No início do século XXI, os particulares tinham aplicados em depósitos cerca de 151 mil milhões de euros. Segundo os dados do supervisor, a partir de 2003 o montante total de empréstimos concedidos a particulares passou a exceder o valor dos respetivos depósitos, situação que se prolongou até 2013. Este foi, aliás, o único período da série histórica (iniciada em dezembro de 1979) em que os particulares, no seu conjunto, foram financiados pelos bancos, e não o contrário.

A evolução conjunta destes agregados traduziu-se num aumento do rácio entre empréstimos e depósitos, refletindo uma expansão significativa do crédito que não foi acompanhada por um crescimento proporcional dos depósitos.

Neste contexto, o crescimento do crédito foi, em larga medida, financiado através de um maior recurso ao financiamento externo. A criação da área do euro promoveu uma maior integração dos mercados financeiros e facilitou o acesso dos bancos portugueses aos mercados interbancários internacionais. Assim, entre 2000 e 2007, o montante de financiamento obtido junto de bancos não residentes mais do que duplicou, ascendendo a 138,9 mil milhões de euros no final desse período.

Este movimento alterou a estrutura de financiamento do sistema bancário: os depósitos de particulares, que representavam 30% do total do balanço no final de 2000, deixaram de constituir a principal fonte de financiamento dos bancos portugueses. Em 2007, essa posição era ocupada pelo financiamento interbancário internacional, que atingiu 32% do balanço total.

De acordo com o Banco de Portugal, “o recurso acrescido ao financiamento externo permitiu aos bancos portugueses sustentar o ritmo de concessão de crédito, num contexto em que o crescimento dos depósitos se revelava insuficiente para acompanhar a procura. Contudo, esta estratégia tornou o sistema bancário mais suscetível a choques externos”.

Essa tendência inverteu-se com o eclodir da crise financeira internacional em 2008, que teve início com a falência do Lehman Brothers.

Em Portugal, o ritmo de concessão de crédito desacelerou. Os empréstimos a particulares aumentaram cerca de 4,6 mil milhões de euros por ano, totalizando, no final de 2010, 141,2 mil milhões de euros (25% do total do ativo).

Foi igualmente durante este período que o rácio de transformação atingiu o seu valor máximo (169% em 2009: por cada 100 euros depositados, os bancos emprestavam 169 euros), evidenciando a maior exposição do setor bancário português a choques adversos, num contexto de forte dependência de financiamento que não provinha de depósitos.

Entre 2007 e 2010, o montante total de dívida emitida pelo setor bancário mais do que duplicou, passando de um peso equivalente a 8% do ativo, em 2007, para 15% em 2010. Esta evolução refletiu a necessidade de substituir o financiamento interbancário externo, que se tornou escasso em resultado da crise.

Em 2014, os rácios de empréstimos vencidos atingiram máximos históricos no crédito a particulares. No final desse ano, a proporção de empréstimos a particulares que não tinha sido paga nas datas previstas correspondia a 13,3% do montante concedido para consumo e outros fins e a 2,5% no crédito à habitação. Nos empréstimos às empresas, 14,2% do montante concedido encontrava-se em situação de incumprimento no final de 2014.

É a partir de 2015 que a banca começa a consolidar os seus balanços, com a redução do malparado e num contexto de taxas de juro historicamente baixas.

Entre 2015 e 2021, os depósitos de particulares aumentaram 40,1 mil milhões de euros (cerca de 5,7 mil milhões de euros por ano). Este crescimento ocorreu num contexto de baixa remuneração dos depósitos a prazo, resultando numa forte expansão dos depósitos à ordem (mais 51,1 mil milhões de euros) e numa redução dos depósitos a prazo (menos 11,9 mil milhões de euros).

Os depósitos de particulares voltaram a ser a principal fonte de financiamento dos bancos portugueses, representando 37% do total do ativo do setor no final de 2021. Este aumento determinou igualmente o reforço da liquidez do sistema bancário. Nesse período, o rácio de transformação desceu para valores inferiores a 100%.

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